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DeCastro Gaia reabre em força e aposta nos petiscos e nos cocktails para os dias quentes

Miguel Castro e Silva preparou uma nova carta onde os petiscos são “fundamentais”. O chef quer que à mesa não se partilhem apenas pratos, mas também ideias.

Mariana Morais Pinheiro
Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
Directora Adjunta, Porto
DeCastro Gaia
© Luís Ferraz | O DeCastro Gaia abriu renovado
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“Quando era preciso alimentar muita gente, o que é que se fazia?”, atira Miguel Castro e Silva perante a plateia sentada à mesa que o escuta atenta. “Faziam-se cozidos, como aqueles que vemos nas histórias do Astérix e do Obélix, em que há sempre uma grande panela a fumegar algures”, ri. Se é verdade que Obélix caiu no caldeirão da poção mágica quando era pequeno, Miguel Castro e Silva parece ter caído no caldeirão da cozinha portuguesa, interpretando o seu receituário como ninguém. A nova carta do deCastro Gaia, que esteve fechado para obras e reabriu agora – bonito e com mais lugares –, é o melhor reflexo disso mesmo: uma cozinha tradicional portuguesa, interpretada de uma forma moderna, mas mantendo-se fiel às suas origens.

O sol do meio-dia começa a mostrar o que vale e a aquecer o Terrace Lounge do Espaço Porto Cruz, no Cais de Gaia, um piso acima do restaurante. É lá que a nova carta de cocktails à base de vinho do Porto (que estará disponível a partir de dia 15 de Abril) ganha destaque, sobretudo se apreciada enquanto se admira uma vista que vai do Palácio de Cristal aos Clérigos, com a Ribeira ao rés-da-água e os seus edifícios de janelas de esquadrias perfeitas. O Cruz Watermelon, preparado com Porto Cruz Pink e puré de melancia, escorrega com rapidez, ajudado pelo sol primaveril que àquela hora do dia atinge inclemente quem se passeia pelo terraço. 

DeCastro Gaia
© Luís FerrazCocktails no Terrace Lounge do DeCastro Gaia

O Porto Mule, com Porto White e cerveja de gengibre, e o Cruz Cucumber, também com Porto White, mas com pepino e sumo de uva na sua composição, arrancam “ahhs” de satisfação. “São frescos e frutados já a pensar na estação quente”, explica André Ribeiro, General Manager da Gran Cruz House. Mas há muitos mais para provar, como o Cruz Pineapple, que além do vinho do Porto Branco, leva sumo de ananás, puré de coco e sumo de lima; ou o Cruz com puré de lichia, Tawny e sumo de lima (preços entre os 9€ e os 12€). Todos bons companheiros dos petiscos que compõem boa parte da carta, como os pratinhos de pimentos Padrón (5€), as travessas de espargos verdes com presunto e gorgonzola (11,50€) ou o tártaro de bacalhau com puré de grão (12,50€), “que é uma espécie de meia desfeita, com tomate e cebola roxa”, explica o chef.

“O petisco é essencial. É possível fazer um almoço ou um jantar só à base de petiscos e, depois, partilha-se um prato entre duas ou três pessoas para se ficar mais composto, se for preciso. A essência do deCastro Gaia é essa mesma: uma cozinha de partilha, uma cozinha centrada no petisco informal”, descreve Miguel Castro e Silva à Time Out. “A ideia é que se partilhem pratos e ideias à mesa, o petisco promove a comunicação entre as pessoas. O petisco é, para nós, fundamental”, acrescenta. Por isso, ainda neste capítulo, há muitos mais pratos para partilhar, ou não tivesse sido ele um “dos primeiros chefs a recuperar o ‘petisco’ como conceito gastronómico”, como se lê no comunicado enviado à imprensa. 

DeCastro Gaia
© Luís FerrazChoco salteado com molho verde e camarões com molho de marisco e alho, do DeCastro Gaia

Peixinhos da horta com maionese de limão (6,50€) e iscas do cachaço de bacalhau com maionese de tomate seco (12,50€), ambos com um polme irrepreensível, inauguram os petiscos quentes, dos quais também fazem parte o tenro choco salteado com molho verde (12,50€), os camarões com um molho rico de marisco e alho (13,50€), a famosa morcela da Beira com maçã (7,50€) e ainda o novilho laminado com molho de mostarda portuguesa (14,50€). Podem ser pedidos no terraço ou no restaurante.

Os pratos principais não se fazem esperar e chegam à mesa carregados de tradição, contando uma história de viagens pelo país, que é preparada a quatro mãos, com o sub-chef José Guedes a assumir os comandos da cozinha ao lado de Miguel Castro e Silva. Há bacalhau à Brás (16,50€), lombo de bacalhau à minhota (24,50€), lula grelhada com molho de manteiga com puré de batata e espinafre (18,50€), garoupa com sopa seca de funcho e grão (21€) – um prato inspirado no receituário transmontano –, porco bísaro com arroz cremoso de cogumelos (18,50€), arroz de prato com perna assada (19,50) e ainda, entre vários outros, uma das criações mais clássicas e conhecidas do chef: a costela mendinha (18,50€). Nesta versão, o arroz de forno foi substituído pelos milhos de couve. “Uma mudança que, surpreendentemente, teve uma aceitação muito boa”, reconhece o chef.

DeCastro Gaia
© Luís FerrazCostela mendinha com milhos de couve do DeCastro Gaia

Não faltam, claro, opções de vinhos das marcas detidas pela Granvinhos para serem harmonizadas com os vários pratos, mas essa complementaridade acentua-se, sobretudo, quando chegam as sobremesas. O remate da refeição é, por isso, feito em grande forma, restaurando receitas que acompanharam Miguel Castro e Silva ao longo da sua carreira – como o bolo de chocolate sem farinha com praliné de avelã (5,50€) – e acompanhando-as de vinhos do Porto, como o Dalva Porto Ruby Lote José Guedes, neste caso. Há ainda pudim de requeijão e laranja (5,50€) para harmonizar com Porto Cruz 10 anos ou uma gulosa tarte de queijo no forno com conserva de frutas (5,50€) para acompanhar com Dalva Porto Lote Miguel Castro e Silva, entre muitas outras coisas boas. Em 2026 haverá um novo deCastro, desta vez, no Funchal. 

Largo Miguel Bombarda, 23 (Vila Nova de Gaia). 22 094 1530. Ter-Sáb 12.30-23.00; Dom 12.30-19.00. Terrace Lounge Ter-Sáb 12.30-00.00; Dom 12.30-19.00.

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