[category]
[title]
O primeiro livro é da antropóloga Anna Lowenhaupt Tsing, que percorre a cadeia de abastecimento do cogumelo matsutake.

Chama-se Crosta – numa referência à crosta terrestre, mas também à camada que se forma sobre uma ferida e que evoca uma capacidade de regeneração –, e nasce pelas mãos de Beatriz Marques Morais e Henrique Fernandes. A ideia é publicar ensaios sobre ecologia e estética contemporâneas, e o primeiro livro é da antropóloga Anna Lowenhaupt Tsing. “É uma referência na sua área, mas nunca tinha sido publicada em Portugal, e O Cogumelo no Fim do Mundo, que é um livro muito editado, no Brasil inclusive, pareceu-nos ideal para nos estrearmos”, diz Beatriz.
“Trabalho em edição há oito anos – comecei na Cotovia, que já não existe – e o Henrique era freelancer na área, traduz e faz revisões. Conhecemo-nos em 2020, porque nos tornámos colegas num grupo editorial. Quatro anos depois, fomos despedidos juntos, mas como já tínhamos falado em como gostaríamos de ter uma editora própria, soubemos logo ‘pronto, é agora’”, revela-nos a editora, que está entusiasmada com a possibilidade de “ter o controlo total sobre o objecto, escolher os títulos, os tradutores, a revisão, o design de capa, como comunicar”.
Com tradução de Henrique Fernandes, revisão de Beatriz Marques Morais e paginação de Tomás Marques Morais, O Cogumelo no Fim do Mundo. Viver nas Ruínas do Capitalismo, de Anna Lowenhaupt Tsing, cruza o trabalho de campo etnográfico, a história económica, a genética e a silvicultura, para dar a conhecer o percurso do cogumelo matsutake, desde que é colhido por veteranos de guerra e imigrantes nos EUA até ser oferecido e consumido como iguaria de luxo no Japão. O design de capa é de David Rubio Meau e as ilustrações, também presentes no miolo do livro, são assinadas por Mariana Torgal Dimas.
“É um cogumelo que cresce em florestas devastadas, portanto também é um livro sobre esperança, porque nos mostra como há uma possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo, como diz o subtítulo. No fundo, mais do que falar sobre cogumelos, fala sobre estas comunidades de refugiados e imigrantes, que encontraram no matsutake um meio de subsistência, mas também de cooperação, simbiose e como aprender a viver num mundo em colapso”, partilha Beatriz, antes de revelar que já estão previstos mais três lançamentos em 2026 – dois na área de ecologia e outros dois na área de estética.
Os livros editados pela Crosta vão estar disponíveis sobretudo em livrarias independentes de todo o país, mas para o ano deverá chegar também às lojas do Grupo Almedina e da Fnac. “A nossa ideia não é ser uma pequena editora e fazer tiragens de 100 exemplares. Seremos média e faremos mais, porque queremos ter presença. Por outro lado, queremos valorizar o objecto-livro em si. Cada edição terá um design único, pensado a partir do texto que se apresenta, e iremos trabalhar com diferentes designers. Penso que a capa deste primeiro livro chama logo a atenção e o próprio miolo, que tem separadores ilustrados.”
À venda por 22€, O Cogumelo no Fim do Mundo pode ser adquirido directamente aos editores com desconto de 10%. O lançamento está marcado para 27 de Novembro, a partir das 19.00, no Teatro A Barraca, com a presença da escritora e investigadora P. Feijó (autora de Episódios de Fantasia & Violência, Orfeu Negro) e de Dirk Michael Hennrich, investigador Doutorado em Filosofia da Natureza e do Ambiente na Universidade de Lisboa.
Para comemorar 50 anos de actividade, a CERCIOEIRAS reuniu grandes nomes da BD nacional em inVisíveis, uma antologia que denuncia preconceitos sobre a deficiência. Além disso, há livrarias a abrir em Lisboa que é uma maravilha: a Lumaca é para fãs de álbuns ilustrados e banda desenhada; a Gondwana promove “literaturas do Sul”; e a Saudade dá destaque a autores lusófonos. Estão também a nascer bibliotecas em hospitais pela mão do Grupo LeYa, que quer ajudar a humanizar cuidados.
Discover Time Out original video