Quem é que vos surpreendeu?
No ano passado, por exemplo, foi o Sting que disse, logo à partida, que queria vir cá. Com o Elton John aconteceu o mesmo. Este ano, o Jamiroquai propôs-se e o David Guetta também. O Guetta já cá esteve há cinco anos e quis voltar. Os Kodaline, por exemplo, são uma banda que sempre que vem ao Norte, vem cá. As bandas sentem-se bem tratadas, gostam do público e, por isso, voltam.
E isso é bom.
É óptimo. É sinal que o festival tem uma marca lá fora. É sinal de reconhecimento pela indústria e pelos profissionais.
Qual foi a contratação mais complicada?
Saltamos de alegria quando conseguimos confirmar os Thirty Seconds To Mars, há quatro anos. Era uma banda na qual acreditávamos muito.
Estiveram muito tempo em negociações?
É tudo uma questão de money, money talks. E íamos até onde tivéssemos de ir. A banda estava disponível, queria tocar nesse fim-de-semana e, na altura, estávamos a concorrer com um festival francês. Mas a banda gosta de Portugal e escolheu-nos.
Podemos falar de números?
São bandas que rondam sempre o meio milhão de euros para cima.
Podemos falar de números?
São bandas que rondam sempre o meio milhão de euros para cima.
E de quanto é o investimento de um festival desta envergadura?
De três milhões e meio.
Lembras-te de algum artista com grandes exigências?
No MEO Marés Vivas, por acaso, nunca tive nenhum. No passado, sim. Em Vilar de Mouros lembro-me de um episódio com o Joe Strummer. Por causa dele andei a carregar aquecedores em pleno Agosto porque o senhor tinha frio.
Quando uma edição do Meo Marés vivas chega ao fim o que sentes?
Ponho-me à porta. Gosto de ver as pessoas a sair do recinto com um ar satisfeito. Gosto de perceber que gostaram deste ou daquele concerto, e que se divertiram. Para nós, esse é o grande best of do festival. Depois, gosto de olhar para os artistas. Vê-los a agradecer ao público e à organização do festival, e perceber que quererem voltar à cidade. O Lenny Kravitz, por exemplo, quando veio cá, tinha marcado apenas dois dias no Porto, mas acabou por ficar mais quatro. Andou a passear pela Ribeira, sozinho, com o cão. Sim, ele trouxe o cão. E isto, para nós, é interessante. Trazemos os artistas e eles levam a cidade lá para fora.
O Mercado Beira-rio, que abriu recentemente em Gaia, tem dedo teu. Como é que alguém do mundo da música se lança no da restauração?
Teve a ver com música, claro. Há quatro ou cinco anos fui a um fórum de música, o Womex, em Copenhaga. Estive três dias lá, aluguei uma bicicleta e andei a passear pela cidade, até que parei num mercado que adorei. Almocei e jantei lá todos os dias e pensei: “Um dia vou fazer uma coisa destas no Porto.” Quando voltei, vi uma notícia a dar conta que o presidente da Câmara de Gaia queria reabilitar o mercado. Surgiu a oportunidade e avançámos.
Nessa altura já sabias o que querias do espaço?
Queríamos ter tudo o que fosse a comida tradicional da cidade. Ter os Guedes da vida [Casa Guedes] e os cachorrinhos [Gazela]. No fundo, queríamos ter as ruas do Porto dentro de uma praça fechada.
E a concessão do Pavilhão rosa Mota da qual tanto se fala?
É o nosso grande projecto. Ficamos com a concessão do espaço, depois de um concurso da Câmara Municipal do Porto, e estamos em obras. Em breve vamos ter grandes novidades.
Já há previsões de abertura?
Abre em Maio de 2019. Vai ser uma sala de espectáculos incrível, a maior do Norte do país, que vai albergar congressos e espectáculos de grande dimensão que, geralmente, não vêm ao Norte... O Porto está a fervilhar. Ainda não abrimos e já temos gente a pedir datas. Vai ser a sala mais próxima do Altice Arena em termos de dimensão, mas com uma grande vantagem em relação a esta. É que o Altice Arena está a 15 quilómetros do centro. Nós não. Nós estamos nos Jardins do Palácio de Cristal, a cinco minutos a pé da Baixa.
Entusiasmados?
Claro. É um projecto de vida. É um projecto incrível porque vai mexer com a cidade. Acredito que este pavilhão vai ser um potenciador. Vai atrair o turismo de negócios, vai tornar o Porto num destino para congressos de grande dimensão. Neste momento, temos três ou quatro pedidos para congressos que envolvem cerca de 3 mil pessoas. São três mil pessoas que vêm dos EUA para cá, são três mil camas. Um absurdo. Enquanto que o turista que viaja na Ryanair gasta entre 40€ ou 50€ por dia, o turista em negócios gasta 1500 euros por dia. É um projecto que nos está a tirar o sono, mas que vai mexer com tudo.