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Baz Lisboa. Isto não é um restaurante. É um áudio-resto-bar

O espaço na Rua da Boavista é um convite para ouvir música, desfrutar de uns petiscos e beber uns cocktails. A Time Out falou com o chef e proprietário, Mazen Abdallah, para perceber como surgiu o conceito... e se podemos dançar dentro das suas quatro paredes.

Hugo Geada
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Hugo Geada
Jornalista
Baz
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Quando entramos no Baz, podíamos ser guiados pela doce bossa nova de Caetano Veloso ou tentar perceber por que é que existem limões em cima da mesa. Mas o que nos capta a atenção é o sorriso de Mazen Abdallah – chef e dono deste espaço, situado no n.º 28 da Rua da Boavista, descrito como um “áudio-resto-bar". 

A expressão pode fazer os mais cínicos revirarem os olhos – é, no fundo, um local que funciona como restaurante, bar e onde se pode desfrutar de música e até dançar. 

A primeira vez que nos deparamos com esta descrição, pensamos na quantidade exagerada de estímulos a que seremos sujeitos dentro deste espaço. Mazen também pensou nisso. 

“Criar um ambiente agradável foi o nosso principal desafio. O espaço abre às 19.00 e, até às 22.30, é muito calmo e agradável. As pessoas podem comer e conversar. O sistema de som foi feito com precisão e a pensar neste tipo de ambiente”, descreve o chef, enquanto aponta para as colunas brancas, desenvolvidas e instaladas com a ajuda da Arda Studios. Efectivamente, ao longo da entrevista, mesmo quando estamos a colocar perguntas por baixo de uma das colunas, conseguimos ter uma conversa sem nos sentirmos incomodados pelo volume. “Mais tarde, por volta das 23.00, se os DJs quiserem fazer mais barulho para as pessoas dançarem, estão à vontade”. 

O desafio era também perceber se existe aderência a um áudio-resto-bar em Portugal. “Uma das primeiras questões que nos surgiu foi por que é que ainda não havia um espaço com este conceito em Lisboa. Isto é algo que já existe em sítios como Nova Iorque”, identifica. 

Mazen reconhece que abrir o Baz foi arriscado, mas também é algo que pode – e tem – trazido os seus frutos. “Queríamos fazer algo que quebrasse a rotina e fosse diferente do que já era praticado em todos os outros lugares. Pode ser um risco ser o primeiro a fazer algo deste estilo, mas também pode realmente beneficiar-nos. Temos ainda muito trabalho a fazer, mas estamos felizes com o resultado”, confessa. 

Baz Lisboa
Nicholas SimenonBaz Lisboa

O proprietário nasceu no Líbano, em Beirute, e tinha uma vida muito diferente. Ele e a esposa, Naila, que ajudou a conceber o conceito de “áudio-resto-bar", eram proprietários de clubs e restaurantes e estavam focados na gestão dos espaços. Mas Mazen sonhava dedicar-se à sua paixão: a cozinha. 

Mudou-se para Paris de forma a estudar gastronomia e trabalhou com chefs Michelin como Alexandre Couillon, Alain Ducasse ou Jacques Maximin, onde aprimorou o seu estilo. O resultado foi uma mistura das suas raízes mediterrânicas com a cozinha francesa. 

Quando se sentia mais confiante, decidiu que queria ter o seu próprio espaço em Paris. A ideia era abrir um áudio-resto-bar na cidade, mas uma viagem a Portugal trocou-lhe as voltas. “É uma história engraçada”, começa por dizer. 

“Já tinha um lugar em Paris, só me faltava assinar o contrato, mas os advogados disseram que precisavam de uma semana para preparar os papéis. Por isso, vim passar uma semana de férias a Lisboa. Não foi a primeira vez – já tinha estado cá há 10 anos. E deparei-me com uma cena totalmente diferente. A primeira rua que visitei foi a da Boavista e fiquei completamente apaixonado. Liguei logo para a minha esposa e disse que este conceito combinava com o estilo de vida português. Íamos ser felizes aqui”, recorda. O casal mudou-se há um ano e meio e não há ponta de arrependimento na decisão. 

Salada de nabo
Nicholas SimenonSalada de nabo

Rapidamente percebemos que um dos segredos do Baz é o espírito acolhedor. Tal como aqui existe espaço para a música, os petiscos e os cocktails, há também lugar para qualquer pessoa se sentar. “Os lugares ao balcão não têm reserva, ao contrário das mesas. Queremos que qualquer pessoa que passe aqui e se sinta atraída ou curiosa possa entrar e comer qualquer coisa, tomar uma bebida ou desfrutar dos DJ sets”, explica o proprietário. 

Mazen é um óptimo conversador, prendendo a nossa atenção enquanto explica que é fã de estilos musicais como soul, jazz ou bossa nova, mas não somos os únicos, com inúmeras pessoas a entrar no espaço e a cumprimentar o proprietário, alguns até com um abraço. 

A única coisa melhor do que a conversa? Talvez o chateaubriand, um lombo de vitela de leite grelhado e acompanhado por couve pak choi e abóbora (26€). Experimentamos também a salada de nabo (12€), que surpreende pela frescura e intensidade dos ingredientes, o Dirty Harry (13€), uma versão de Bloody Mary que inclui uma infusão de alho negro e sumo de tomate caseiro, e um tiramisù fresco (8€) que encerrou a refeição. Além destes pratos, existem outras “estrelas”, garante o proprietário, nomeadamente o mini-hambúrguer de foie gras (18€). 

Mini hambúrguer de foie gras
Nicholas SimenonMini hambúrguer de foie gras

O menu funciona de forma sazonal, e, segundo o chefe, existe uma ligação entre o que é servido e o espaço. “Trabalho com um menu limitado, temos menos de dez pratos e dez cocktails exclusivos. Acho que é o número ideal, quero que cada pessoa desfrute de cada prato. Isto faz parte da nossa filosofia minimalista e de evitar o desperdício, que coincide com a arquitectura e decoração. Não quero perder tempo a explicar às pessoas o que elas estão a comer. Mas cada membro da cozinha sabe o que está a colocar no prato e a sofisticação de cada sabor”, dando como exemplo a redução do molho do Chateaubriand ou o processo para fazer o alho negro que usa no Dirty Harry. 

Só falta perceber uma coisa: depois de comer e beber, podemos dançar? "Claro que podes!”, exclama Mazen, confessando que também costuma dançar quando está atrás do balcão (nós vimos os moves ao som de Bongo Bong de Manu Chao). 

Apesar de receber DJs neste espaço – esta semana vão passar pelos decks Dupplo, Momüs, Juju Manju, Apoteoz e O’Hana — o proprietário quer deixar uma distinção clara: o Baz não é um club ou uma discoteca. 

“Este é um lugar de espírito livre. Podemos ficar aqui a dançar até às duas da manhã. Isso dá-me muito prazer. Isto é um restaurante festivo. Se sentires que a música te está a puxar para dançar, és livre de o fazer. Somos um áudio-resto-bar. Um sítio onde podes ir, comer e beber e terminar a noite a dançar, sem precisares de procurar outro sítio. Mas não nos vemos como um club, não somos esse tipo de espaço.” 

Contudo, havia ainda mais uma questão que faltava responder para saciar a nossa curiosidade. Afinal, por que é que estavam limões espalhados em cima das mesas? “Eles vêm do pequeno jardim que tenho em casa”, diz. “É uma celebração da temporada.” 

Questionamos se servem apenas como adereço. “Não gosto dessa ideia", diz Mazen rapidamente. "Tudo o que coloco em cima da mesa é para ser utilizado. Não estou interessado em usar comida como decoração. Quero deixar a comida brilhar por si só e deixá-la parecer arte. É o nosso prazer se usarem os nossos limões.”

Rua da Boavista 28 (Cais do Sodré). 917 043 693. Ter-Sáb 19.00-02.00

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