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Antes de qualquer outro desenvolvimento, importa explicar o que é um aquamanil, objecto tristemente caído em desuso. O recipiente, em forma de animal ou de traços antropomórficos, serviu em tempos para conter a água usada para lavar as mãos, antes e depois das refeições. Este, em particular, assemelha-se a um Caquesseitão (outro palavrão), criatura mitológica do imaginário quinhentista com corpo de pássaro, escamas e espinhos, pescoço de réptil e esporão na testa.
Dado o devido contexto, falemos deste aquamanil em particular, uma peça em prata do século XVII, adquirida em leilão pela Fundação Oriente, a 27 de Maio. Isto após ter estado em risco de ser adquirida por um investidor internacional e de sair do país. Segundo a fundação, não são conhecidos mais de dez exemplares desta peça em todo o mundo, sendo esses presumíveis encomendados de famílias aristocráticas portuguesas.
"A ligação intrínseca da peça a Portugal passa ainda pela literatura. Na Peregrinação, Fernão Mendes Pinto terá descrito um Caquesseitão, animal da Ilha de Samatra de singulares características: 'do tamanho de uma grande pata, muito pretos, com costas em concha, uma ordem de espinhos ao correr do lombo, asas do feitio das do morcego e pescoço de cobra'", lê-se no comunicado emitido pela Fundação Oriente.
A partir de Julho, a peça passa a integrar a exposição permanente do Museu Oriente – "Presença Portuguesa na Ásia" –, parte visível de um acervo que inclui cerca de 3000 objectos. O aquamanil esteve em análise pela Direcção Geral do Património Cultural desde 2019 para ser classificado como bem de interesse público. O processo acabou por caducar e a peça foi levada a leilão pela Veritas, momento em que foi adquirido pela Fundação Oriente, que não revelou o valor pelo qual arrematou a peça.
Avenida de Brasília, Doca de Alcântara Norte. 21 358 5200. Ter-Dom 10.00-18.00 (Sex até às 20.00). 8€
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