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Quando abriu as portas no Palácio Foz, nos Restauradores, a 18 de Abril de 1908, o Salão Central, propriedade do dinâmico distribuidor de filmes Raul Lopes Freire, era o cinema mais luxuoso de Lisboa, com 425 lugares e um pequeno grupo musical privativo para acompanhar ao vivo a projecção dos filmes mudos. Lopes Freire era já o proprietário de uma outra sala de cinema na Baixa, o Salão Chiado, situado nos Grandes Armazéns do Chiado.
Numa publicidade dessa época reproduzida pelo blogue Restos de Colecção. O Salão Central é referido como “o melhor animatographo de Lisboa” e são anunciadas as suas “sessões elegantes à terça-feira”, “sessões da moda à quinta-feira”, “grandiosas matinés-concerto ao domingo” e “magníficos concertos pelo sexteto do Salão”. Recorde-se que pela mesma altura, e até 1939, o Palácio Foz acolheu, além do Salão Central, estabelecimentos tão variados como o restaurante A Abadia, a Pastelaria Foz e o cabaré Maxim’s.
Em 1919, o incansável Lopes Freire fechou o cinema para melhoramentos. Em 1926, a sala voltou a encerrar para mais obras, reabrindo em 1928 (coincidindo com a abertura do citado Maxim’s), mantendo os mesmos padrões de luxo e elegância, mas agora com um novo nome: Central Cinema. Fecharia em 1945. Funciona lá hoje, desde 2007, a Cinemateca Júnior, depois de lá ter estado instalada a Cinemateca Portuguesa, entre 1958 e 1979.
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