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No maior festival de cinema de animação do mundo, uma curta-metragem portuguesa voltou a destacar-se entre dezenas de produções que competiam na mesma categoria. 18 anos após História Trágica Com Um Final Feliz, de Regina Pessoa, ter ganhado o Annecy de Cristal, é Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, que traz o cristal para casa.
Saída dos BAP – Animation Studios, dos quais as realizadoras são co-fundadoras, em colaboração com a produtora francesa Ikki Films, Percebes tem o Algarve como pano de fundo, acompanhando o ciclo de vida do crustáceo que dá o nome à produção, do nascimento até ao prato, numa história que cruza vários contextos para ajudar a compreender a região e seus habitantes.
"Este filme nasceu da vontade de mostrar um Algarve com voz própria, que quer olhar para um outro lado do postal turístico: o lado de quem o vive durante todo o ano. Um elogio às pessoas, ao mar e à sua fauna, que estão a resistir às violentas transformações do turismo". As palavras são atribuídas às duas realizadoras, numa nota de imprensa enviada pela Agência da Curta-Metragem em Março passado, altura em que foi anunciada a Selecção Oficial do Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy.
Nesta edição do festival fundado em 1960, a animação portuguesa teve especial destaque, com direito a uma retrospectiva com curadoria do diretor artístico do Festival MONSTRA, Fernando Galrito, composta por 61 filmes estreados entre 1923 e 1924, assinalando mais de um século de animação em Portugal. Com uma delegação nacional que invadiu Annecy com mais de 200 profissionais que apresentaram vários dos seus projectos, destaque ainda para o cartaz do festival, uma ilustração da autoria de Regina Pessoa pontuada por vários cravos vermelhos.
Também a partir de Annecy, em declarações à agência Lusa, o realizador Miguel Gonçalves Mendes (José e Pilar) falou da sua nova produção, ainda em curso, intitulada A Casa de Regina Pessoa e Abi Feijó, longa-metragem documental que explora o universo dos dois animadores portugueses, em particular a Casa-Museu de Vilar (Lousada), dedicada ao cinema de animação e um projecto que junta os dois cineastas. "Fico ofendido com Portugal, porque mais uma vez nós temos um caso de uma mulher extraordinária e um homem extraordinário que pouca gente conhece. A Regina Pessoa teve uma projecção internacional que nenhum português teve aqui [em Annecy]", disse Miguel Gonçalves Mendes.
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