As Ovelhas Detectives
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘As Ovelhas Detectives’ a ‘Amor em Quatro Letras’

As estreias de cinema, os filmes em exibição e os novos filmes para ver em streaming, incluindo ‘La Grazia’, ‘O Diabo Veste Prada 2’ ou ‘Michael’.

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Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.

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Filmes em estreia esta semana

As Ovelhas Detectives

Comédia policial de Kyle Balda, um dos autores das animações de Os Mínimos e Gru, o Mal-Disposto, As Ovelhas Detectives baseia-se no primeiro dos dois livros da escritora policial alemã Leonie Swann, passados em Inglaterra, sobre um rebanho de ovelhas que investigam o assassinato do seu querido pastor. O filme mistura animação digital e ambientes e actores reais. Com Hugh Jackman, Emma Thompson, Patrick Stewart, Julia-Louis Dreyfus e Bryan Cranston.

Amor em Quatro Letras

Pierce Brosnan, Gabriel Byrne, Helena Bonham Carter, Fionn O’Shea e Ann Skelly interpretam Amor em Quatro Letras, um melodrama realizado por Polly Steele e baseado no best-seller homónimo de Niall Williams, passado nos anos 70, sobre duas famílias cujos filhos, e os seus destinos, se vêem unidos por causa de um quadro pintado pelo pai de um deles. 

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Chopin – Uma Sonata em Paris

Opulenta biografia de Chopin realizada pelo polaco Michal Kwiecinski e co-produzida pela Polónia, França e Espanha. Em 1835, o renomado compositor Frédéric Chopin (Eryk Kulm) está em Paris: dá concertos, frequenta a alta sociedade e a realeza, compõe obras-primas e está a braços com uma doença.

Linguagem Universal

Segunda longa-metragem do cineasta experimental canadiano Matthew Rankin, Linguagem Universal é uma comédia absurdo-surreal com três histórias que se cruzam e ambientada num Canadá alternativo onde os iranianos são a maioria da população. Rankin também interpreta um dos papéis principais.

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Radio Metronom

Filme do romeno Alexandru Belc passado em Bucareste, em 1972. Ana, de 17 anos, e um grupo de amigos, mandam uma carta para o Metronom, um programa musical que a Radio Free Europe emite clandestinamente na Roménia. É então que a Securitate, a polícia secreta, entra em cena.

Mortal Kombat II

Neste segundo filme, os campeões favoritos dos fãs enfrentam-se num derradeiro combate sem regras, para tentarem pôr fim ao sombrio reinado de Shaon Kahn.

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Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour

James Cameron e a própria Billie Eilish partilham a realização deste documentário de grande produção, que se centra na digressão Hit Me Hard and Soft da cantora.

Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral

Nova longa-metragem animada desta série de produção norueguesa, com mais aventuras do pirata Capitão Dentes de Sabre e dos seus amigos.

Filmes em cartaz esta semana

  • Filmes
  • Comédia
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a Runway, a prestigiada revista que dirige e que está em declínio de tiragens, vendas e influência, e sob o efeito negativo de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, agora uma jornalista de renome, nomeada editora de reportagens pelo proprietário, para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação.

O realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna conseguem um filme melhor do que o original, mantendo o registo de comédia sofisticada e satírica, e incorporando na história, mesmo que com ligeireza, o tema da crise dos media tradicionais, em especial da imprensa escrita, e do advento e crescente influência da internet, do digital e das redes sociais. Os actores, todos impecáveis, fazem o resto, e é uma delícia ver Meryl Streep divertir-se a interpretar uma Miranda que agora tem que pendurar ela o casaco quando chega à revista e que voar em Económica.

  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Comédia satírica do realizador iraniano Ali Asgari, centrada num cineasta e na sua produtora que, após não conseguirem a obrigatória autorização das autoridades culturais para estrearem o seu novo filme, dado que é falado em turco e não em farsi, vão tentar exibi-lo sem terem a licença oficial. Um risco para eles, bem como para quem aceder a ajudá-los. E não vai ser nada fácil concretizar este plano. Pondo um colega realizador que já foi censurado e a sua sobrinha, uma jovem actriz que está proibida de trabalhar há alguns anos pelo Ministério da Cultura, mas não fez caso desta interdição, nos papéis principais de Divina Comédia, Ali Asgari assina um filme sobre os constrangimentos, a estupidez gritante e os absurdos da burocracia e da censura no Irão, ao mesmo tempo que pisca o olho ao cinema de realizadores como Woody Allen ou Nanni Moretti.

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  • Filmes
  • Drama
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Toni Servillo volta a ser o principal intérprete do novo filme de Paolo Sorrentino, interpretando Mariano De Santis, um Presidente da República italiano fictício, um viúvo conservador, católico e muito consciencioso, e estimado e admirado pela população e pelos seus colaboradores. De Santis está a seis meses de acabar o mandato e tem de tomar duas grandes decisões antes de ir para casa. Promulgar ou vetar uma lei da eutanásia, e conceder ou não perdões a um homem e uma mulher que mataram os respectivos cônjuges. Ao mesmo tempo, atormenta-se diariamente por não saber com quem a falecida mulher, que adorava, o traiu. Desconfia do seu amigo mais antigo que é ministro do actual governo, e a sua melhor amiga e da mulher, sabe quem é, mas jurou a esta nunca lho dizer.

Com contenção, sobriedade, um conhecimento profundo da natureza humana e um superior sentido da composição cinematográfica, Paolo Sorrentino assina um filme sobre os dilemas morais e éticos de um homem que sempre se guiou pela sua consciência e se sente desconfortável a tomar decisões socialmente fracturantes, que é também uma meditação sobre o peso e a solidão do poder, sobretudo em momentos determinantes e dramáticos da vida política. Toni Servillo tem mais uma interpretação notável no papel de De Santis, dizendo quase tudo o que é preciso com um olhar, uma expressão, uma postura, uma frase seca e curta.

Projecto Global

Ivo Canelas, Jani Zhao, Gonçalo Waddington, Adriano Luz, João Catarré e Rodrigo Tomás são alguns dos intérpretes desta realização de Ivo M. Ferreira, que terá também uma versão para televisão, a exibir na RTP. A história passa-se no Portugal dos anos 80 e centra-se no agrupamento terrorista de extrema-esquerda FP-25 (Forças Populares 25 de Abril), que ameaçou o regime democrático recém-instaurado, através de uma série de ataques a tiro, atentados bombistas e assaltos a dependências bancárias e carrinhas de transporte de valores, entre 1980 e 1987, causando 19 mortes, incluindo um bebé.

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Michael

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o tio nesta fita biográfica assinada por Antoine Fuqua (Dia de Treino), fazendo também a sua estreia no cinema. A história acompanha a carreira do malogrado “Rei da Pop” desde que fazia parte dos Jackson 5 com os irmãos, até aos anos 80, quando se transformou numa estrela planetária. Michael custou 155 milhões de dólares, é produzido e controlado pela família e por próximos do músico e cantor, e inclui 30 canções do catálogo musical de Michael Jackson. Colman Domingo, Nia Long e Miles Teller constam também do elenco.

A Mulher Mais Rica do Mundo

Marianne (Isabelle Huppert) é a mulher mais rica do mundo. Pierre-Alain (Laurent Lafitte) é um jovem artista, fotógrafo e escritor gay. Conhecem-se numa sessão fotográfica e ficam inseparáveis. Esta relação surpreende e intriga as pessoas, e perturba os colaboradores e os familiares da multimilionária. A filha de Marianne, em particular, tem dificuldade em aceitar a cumplicidade dela com um homem mais novo, que adora dinheiro e recebe muito da mãe, além de presentes caros. Este filme de Thierry Klifa é inspirado no caso real de Liliane Bettencourt, a riquíssima herdeira do império da L’Oréal.

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  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Com narração de Jane Fonda, Lisa Azuelos e Thierry Teston contam-nos tudo sobre uma das canções mais célebres, mais carismáticas, com mais versões e mais cantadas do planeta, “nascida” em França nos anos 60 com o título “Comme d’habitude” e co-assinada cantada e gravada por Claude François, comprada e trazida para os EUA por Paul Anka, que a retrabalhou, deu-lhe um novo título e a passou a Frank Sinatra, que a popularizou mundialmente e a tornou no seu hino pessoal, apesar de ter acabado por se fartar dela. Mas há muito mais para dizer sobre “My Way”, e Azuelos e Teston conseguem esgotar o tema, tocando até nalguns aspectos insólitos em redor da canção, caso da remota associação de David Bowie com ela ou dos tiroteios mortais nos clubes de karaoke das Filipinas.

Cervantes: Antes de Dom Quixote

Alejandro Amenábar realiza este filme histórico que se foca nos cinco anos em que Miguel de Cervantes esteve em cativeiro em Argel, após ter sido capturado pelos turcos. A fita retoma também a tese (nunca comprovada) da homossexualidade do escritor, que aqui se envolve num romance com o governante da cidade, o bei Hassan, um veneziano que renegou o cristianismo e se converteu ao islamismo. Interpretações de Julio Peña e Alessandro Borghi.

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  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Vencedor do Festival de San Sebastián e de cinco Goyas, este drama da cineasta espanhola Alauda Ruiz de Azúa centra-se em Ainara (Blanca Soroa), uma jovem de 17 anos que perdeu a mãe precocemente e vive em Bilbau com o pai, dono de um restaurante, e com as duas irmãs mais novas. Há ainda a avó, e a tia, irmã do pai, que trata a sobrinha mais velha como uma filha, e é casada com um argentino, do qual tem um rapazinho. Ainara espalha a confusão e a apreensão na família quando anuncia que quer ser freira e professar numa ordem de clausura logo que acabar o secundário. A tia, muito em especial, pelo amor que nutre a Ainara mas também por ser anti-clerical, é quem encara com mais revolta e temor a decisão da rapariga.

Magnificamente escrito, serenamente filmado e muito bem interpretado por todo o elenco, principal e secundário, Os Domingos é um filme exemplar de objectividade e honestidade intelectual, ao tratar um tema tão delicado e controverso como este, com justeza, equilíbrio e atenção aos argumentos e pontos de vista das partes envolvidas, sem o menor viés ou qualquer suspeita de proselitismo, pró ou anti-religioso. Blanca Soroa é notável na jovem, tranquila e convicta Ainara, que tem toda a certeza da sua vocação, e de ter sido chamada a ela por um poder maior e indizível, que não consegue explicar aos seus mais próximos, que temem por ela porque a amam muito. Tanto como o amor que ela sente por Cristo, a quem vai entregar a sua vida no convento. Filme singular, a contrapelo dos tempos que correm, Os Domingos é, desde já, uma das melhores estreias deste ano.

Nino

Neste primeiro filme da francesa Pauline Loquès, Nino segue o protagonista do mesmo nome por Paris, após ter sabido que tem cancro e que o tratamento tem que começar dentro de três dias. Nino está prestes a fazer 30 anos e terá que dar a notícia a família e amigos, mas não tem coragem para o fazer, envolvendo-se numa sequência de peripécias.

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Caso 137

Inspectora adstrita ao IGNP, a “polícia da polícia” francesa, Stéphanie (Léa Drucker) está a investigar uma queixa de uma civil contra membros da Brigada de Intervenção, que acusa de terem maltratado injustificada e brutalmente o seu filho, durante uma manifestação dos Gilets Jeunes em Paris. Drucker ganhou o César de Melhor Actriz pela sua interpretação neste filme policial de Dominik Moll.

O Drama

Comédia negra filmada nos EUA pelo norueguês Kristofer Brogli (Sick of Myself, O Homem dos Teus Sonhos), com Robert Pattinson e Zendaya. Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya) vão-se casar, mas durante um jantar com a sua dama de honor e o marido, a rapariga revela um segredo do tempo do liceu que nunca contou a ninguém, e tudo muda em seu redor.

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  • Filmes
  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

O francês Sylvain Chomet, realizador das geniais longas-metragens de animação Belleville Rendez-Vous (2003) e O Mágico (2010), não fazia um filme animado de grande fôlego desde este último (a comédia de imagem real Attila Marcel, de 2013, é o seu trabalho recente mais significativo). Chomet acalentava há alguns anos um projecto ambicioso em termos de animação: uma fita sobre Victor Hugo baseada nos desenhos do autor de Os Miseráveis, que estava a começar a preparar quando foi abordado por Nicolas Pagnol, neto do escritor, dramaturgo e realizador Marcel Pagnol, que lhe propôs contar a vida do avô em desenhos animados, para assinalar, em 2025, os 130 anos do nascimento do autor de César e A Mulher do Padeiro. E Chomet aceitou a proposta, pondo na gaveta o filme sobre Victor Hugo e realizando, em animação tradicional, desenhada à mão, como é seu apanágio, Marcel e Monsieur Pagnol.

Marcel Pagnol (1895-1974) é uma das maiores figuras da cultura e das artes francesas do século XX, do qual se diz que “deu a conhecer à França o sotaque dos naturais do Sul do país”. Nascido em Aubagne, na Provença, Pagnol tem uma vasta obra teatral, literária, ensaísta e cinematográfica, e as suas peças e filmes passam-se quase todas no Sul, nomeadamente em Marselha. O que não impediu o terem-se tornado populares e aclamadas em toda a França, bem como internacionalmente, transformando-o num autor cujo regionalismo, longe de lhe tolher o alcance, o converteu num dos mais bem-amados em França e fez atingir uma dimensão universal. 

Basta referir a sua Trilogia Marselhesa, composta pelas peças Marius, Fanny e César, que começou a vida nos palcos e foi depois adaptada a filme pelo próprio Marcel Pagnol nos estúdios que abriu em Paris e em Marselha em 1932. Isto para ter plena liberdade em termos cinematográficos e não deixar a outros a transposição para a tela das suas peças e textos literários (Pagnol teve, inclusivamente, o sonho de construir uma “Hollywood francesa” na Provença, numa grande propriedade com um castelo que comprou em 1941, um projecto que a II Guerra Mundial não lhe permitiria concretizar). E há ainda títulos como Angèle, Topázio, Schpountz, O Anjinho, O Porto dos Sete Mares ou A Filha do Poceiro. Outros realizadores, como Claude Berri, Yves Robert ou Christopher Baratier iriam, após a morte de Marcel Pagnol, também filmaram peças e livros dele, o que contribuiu para manter a sua perenidade. 

Marcel e Monsieur Pagnol começa tarde, em 1955, na casa de Paris de um Marcel Pagnol sexagenário (a voz é de um irrepreensível Laurent Lafitte), com a reputação feita, aclamado, premiado e abastado. Só que o autor de Cartas do Meu Moinho está desalentado. Tão desalentado, que até pensa não escrever nem mais uma linha e reformar-se, já que as suas duas últimas peças não agradaram ao público nem à crítica, estiveram pouco tempo em cena e foram fracassos comerciais consideráveis. É então que durante uma festa, Hélène Lazareff, a fundadora da revista Elle, e o seu marido Pierre, o criador do diário France-Soir, grandes amigos e admiradores de Pagnol, convidam-no para fazer uma crónica semanal naquela revista, centrada nas suas recordações de infância.    

O escritor aceita, mas quando se senta na secretária do seu escritório para redigir o primeiro texto, não sabe por onde começar e volta a desanimar. É então que lhe aparece o seu “eu” infantil, o pequeno Marcel que ele foi, que o vai ajudar na redacção da crónica, levando Marcel e Monsieur Pagnol para o passado, para os primeiros anos do século XX, para que Sylvain Chomet nos possa contar, com o seu inconfundível estilo animado, usando aqui e ali imagens de época e dos filmes de Pagnol, e conseguindo abranger os seus principais factos biográficos, a longa, rica e magnífica vida de Marcel Pagnol, com todos os seus altos e baixos, os momentos tristes, trágicos e fracassados como os de alegria, felicidade e glória. Marcel e Monsieur Pagnol é a mais original e melhor homenagem que Marcel Pagnol podia ter tido nos 130 anos do seu nascimento. E com sotaque do seu Sul natal, está claro.

  • Filmes
  • Ficção científica
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

É num livro de Andy Weir, o autor de O Marciano (filmado por Ridley Scott) que se baseia Projecto Hail Mary, realizado pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (O Filme Lego). O herói é Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de Ciências e que acorda numa nave espacial e constata que não só está perdido no cosmos, como também perdeu a memória e os outros dois tripulantes morreram durante o hipersono. Não se recorda de quem é, da razão por que está naquela nave ou da missão que tem que desempenhar.

Em vez de perder a cabeça de vez, Ryland consegue manter a calma, concentrar-se e procurar pistas que o esclareçam, e pouco a pouco vai-se lembrando de tudo. É o único sobrevivente de uma tripulação que foi enviada ao sistema de Tau Ceti para procurar uma solução para um acontecimento catastrófico que se deu na Terra, e que ameaça a sobrevivência da humanidade: umas estranhas partículas, os Astrofagos, estão a “comer” a luz do Sol e o nosso planeta tem 30 anos antes de mergulhar na escuridão e numa era glaciar permanentes.

Para se manter vivo e conseguir cumprir a sua missão, Ryland vai ter que confiar nos seus vastos conhecimentos científicos, no seu engenho e na vontade humana. Mas ao contrário do que pensa, a sua busca por respostas para resolver ao que se passa na Terra não será solitária, já que contará com uma ajuda completamente inesperada. Ela virá de um extraterrestre chamado Rocky, uma espécie de cruzamento de uma rocha com um aracnídeo, também ele único sobrevivente da sua nave e cujo sol do seu planeta está igualmente sob a mesma ameaça do da Terra. E Ryland e Rocky vão primeiro ter que conceber uma forma de comunicar antes de começar a colaborar, bem como de ultrapassar o problema de viverem em atmosferas diferentes.

Épico de aventuras cósmicas, buddy movie em que um humano e um alienígena se tornam os mais improváveis dos amigos, comédia dramática interestelar e filme de suspense da modalidade “Planetas em perigo”, Projecto Hail Mary é um dos melhores filmes de ficção científica sobre o tema do “primeiro contacto” dos últimos tempos, deixando uma mensagem positiva e optimista sobre o papel da ciência e da tecnologia na resolução de problemas graves, e a possibilidade de humanos e extraterrestres travarem amizade e se entenderem e trabalharem em conjunto para o bem de ambas as espécies.

Ryan Gosling é mesmo muito bom no atarantado mas inteligente e expedito Grace, e Rocky, uma criatura animatrónica em cuja criação e manipulação estiveram envolvidos o veterano e oscarizado técnico Neal Scanlon, e o premiado bonecreiro e actor James Ortiz, resulta perfeitamente como personagem credível e a sua empatia com os espectadores é igual à que estabelece com o seu amigo humano. A não perder.  

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  • Filmes
  • Documentários
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Documentário sucinto (tem pouco mais de uma hora) mas bastante elucidativo de Lee Shulman sobre o genial e idiossincrático fotógrafo inglês Martin Parr, que morreu há pouco tempo, e que é filmado nas suas andanças em busca de boas fotos, em especial pelas praias de Inglaterra. Enquanto isso, amigos, artistas, colegas, colaboradores da sua fundação, galeristas, a mulher, Susie, e o próprio Parr, sempre sorridente e cheio de bonomia, falam sobre a sua obra (e não esquecem as fotos a preto e branco da fase inicial da sua carreira) e a sua personalidade, e contam histórias significativas e saborosas, como a da “alergia” que muitos fotógrafos da Agência Magnum lhe tinham, votando por isso contra a sua entrada (eventualmente, Parr acabou, e com toda a justiça, por fazer parte dos quadros da Magnum).

  • Filmes
  • Suspense
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Quem é Vladimir Putin? Como é que ele apareceu na paisagem política da Rússia após o fim do comunismo? Quem é que o ajudou na sua ascensão ao poder e a instalar-se no Kremlin? Foi para responder a perguntas como esta que o consultor político e escritor italo-suíço Giuliano da Empoli assinou O Mago do Kremlin, uma obra de ficção com alicerces na realidade, publicada em 2022, pouco antes do início da guerra na Ucrânia. O narrador, um investigador que foi à Rússia em trabalho, é contactado, em Moscovo, por Vadim Baranov, antigo encenador de teatro e produtor de reality shows, que ajudou a levar Vladimir Putin ao poder e se tornou na sua “eminência parda” e homem de total confiança, antes de se retirar da vida política activa.

Baranov, cuja figura é inspirada muito livremente por Vladislav Surkov, um publicitário, homem de negócios e político, e durante muitos anos o principal conselheiro político de Putin, conta então toda a sua vida antes de entrar nos bastidores do poder e se tornar unha com carne com Putin. O que abrange cerca de três décadas da história recente da Rússia, começando nos anos 90, no pós-comunismo, abrangendo a Perestroika, a presidência de Boris Ieltsin, o advento dos oligarcas e o ambiente de total liberdade e de euforia social e artístico-cultural, mas também de violência e de caos político, e de desastre económico eminente vivido na Rússia de então.

Segue-se o aparecimento de Vladimir Putin, um homem do FSB (o organismo sucessor do KGB), escolhido pelo oligarca Boris Berezovsky (na altura o patrão de Baranov) e seus próximos como candidato a primeiro-ministro, e a sua subsequente eleição como Presidente, a anulação do poder dos oligarcas e a consolidação daquele no Kremlin, qual “novo Czar”. A guerra na Chechénia, o desastre do submarino nuclear Kursk e o sucesso mediático e de propaganda dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi são alguns dos grandes acontecimentos dessa época também referidos por Baranov. Segundo este explica ao seu interlocutor a certa altura da sua conversa, o poder “é uma forma de expressão artística”.

O Mago do Kremlin era um livro actual e suculento demais para não ser adaptado ao cinema, e quem ganhou a corrida aos direitos foi o realizador francês Olivier Assayas, que os adquiriu em 2024 e começou de imediato a trabalhar no guião do filme, juntamente com o escritor e realizador Emmanuel Carrère, conhecedor da história e da cultura da Rússia, tendo Giuliano da Empoli como consultor. Para Assayas, o grande interesse do livro reside “na forma como nos fala do poder a partir do seu interior, e dos mecanismos do seu funcionamento”, neste caso específico, do poder na Rússia tal como Vladimir Putin o personifica, domina e dirige – através de uma pessoa que o conheceu por dentro, até ao mais pequeno pormenor, e aconselhou e privou com o seu maior e mais carismático representante –, e não visto e analisado de fora.

Assayas teve que escolher um elenco essencialmente anglo-saxónico, com um actor de língua inglesa e de primeiro plano a interpretar Vladimir Putin, ou então não teria conseguido o financiamento para rodar O Mago do Kremlin. Assim, Jude Law é Putin e o americano Paul Dano personifica Baranov. O interlocutor deste é agora um americano chamado Rowland (Jeffrey Wright). Ksenia, a grande paixão da vida de Baranov, e mãe da sua filha, é vivida por Alicia Vikander, e os oligarcas Boris Berezovsky e Dmitri Sidorov ficaram a caso dos britânicos Will Keen e Tom Sturridge, respectivamente. A Lituânia faz as vezes da Rússia no filme, por ser o país que, segundo o realizador, melhor passa visualmente por aquela. 

Entre outras alterações mais ou menos significativas feitas por Olivier Assayas e Emmanuel Carrère à narrativa de Giuliano da Empoli, o final do filme é (e de forma controversa) diferente do do livro. O que muda pouco e continua muito bem claro na fita, é a figura semi-maquiavélica de Sourkov/Baranov, e o seu singular percurso, de jovem encenador de teatro de vanguarda e frequentador dos meios culturais underground russos na década de 90, a homem forte de uma televisão privada detida por um dos mais ricos e influentes oligarcas, e finalmente a figura central da propaganda e da máquina de poder do Kremlin, e “homem na sombra” de Vladimir Putin, consultor e confiante deste, e ainda principal criador da sua imagem pública. 

Neto de um aristocrata anti-comunista e filho de um dignitário cultural da antiga URSS, intelectual e homem do terreno, simultaneamente testemunha e actor, observador lúcido e protagonista empenhado, com as mãos todas metidas na massa da política (ao mais alto nível como ao mais rasteiro) mas também dotado de muita capacidade de recuo para analisar os seus actos e os efeitos que têm, bem como reflectir sobre o seu comportamento e o de todos que gravitam em seu redor, Vadim Baranov é, mais do que Vladimir Putin, a figura mais complexa, fascinante e intrigante de O Mago do Kremlin.

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  • Filmes
  • 4/5 estrelas
  • Recomendado

Na sua origem, Kill Bill era para ser um só filme com quatro horas de duração, tal como Quentin Tarantino o havia pensado. Por razões comerciais, alguma pressão do produtor e porque Tarantino queria ter mais tempo disponível para trabalhar naquele que seria o segundo filme, foi lançado em duas partes e o realizador apenas passou a versão de quatro horas (que teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2006, fora de competição) em visionamentos privados, para amigos e gente da indústria cinematográfica, com uma breve estreia comercial na sala de cinema de que é dono em Los Angeles. Ei-la agora enfim nos cinemas, combinando os Volumes 1 e 2, com cenas eliminadas na montagem e planos alternativos, uma remasterização da luta dos Crazy 88 com a Noiva de Uma Thurman, um acrescento à sequência de anime e uma nova curta-metragem de 10 minutos, feita em 2025. Total: 4 horas e 35 minutos de filme, com intervalo incluído.

O Estrangeiro

Depois da versão de 1967 assinada por Luchino Visconti e interpretada por Marcello Mastroianni e Anna Karina, é agora a vez de François Ozon adaptar ao cinema o célebre livro de Albert Camus passado na Argélia, com Benjamin Voisin no papel de Mersault, um modesto e lacónico amanuense de trinta e poucos anos. Ele vai ver a sua rotina quotidiana perturbada pela morte da mãe, e por um encontro fatídico numa praia. Também com Rebecca Marder, Pierre Lotin e Denis Lavant.

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  • Animação
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

A nova animação da Pixar/Disney põe em cena Tamara, uma rapariga de 19 anos que adora animais, em especial castores, e que aproveita uma nova tecnologia que transfere a mente humana para animais robóticos, para incarnar num castor e ir avisar aqueles que vivem perto da sua cidade que uma nova obra da Câmara Municipal ameaça destruir o seu habitat. Só que o alarme vai causar uma insurreição em todos os animais da zona, que ameaça os humanos, e muito em especial o velhaco presidente da Câmara. O antropomorfismo sempre deu bons resultados para a Disney, e o mesmo se pode dizer para a Pixar em Saltitões, uma animadíssima e muito bem-disposta comédia passada no reino animal (com alguns gags cinéfilos lá pelo meio, caso de um que remete para Tubarão, de Steven Spielberg), que veicula uma simpática (e nunca intrometida) mensagem em prol da conservação da natureza. E que pode ser apreciada igualmente por miúdos e crescidos.

Crime em Directo

Gus Van Sant recria nesta fita os acontecimentos de um dia de Fevereiro de 1977, em Indianapolis, quando um cidadão chamado Tony Kiritsis sequestrou com uma caçadeira o vice-presidente de uma companhia de hipotecas e crédito, acusando-o e ao pai, o presidente, de o terem enganado num empréstimo e levado à falência. Com Bill Skarsgard, Dacre Montgomery, Al Pacino, Colman Domingo e Cary Elwes.

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  • Filmes
  • 3/5 estrelas
  • Recomendado

Autor de alguns dos melhores filmes sul-coreanos dos últimos anos, caso de Em Nome da Vingança, Oldboy – Velho Amigo, Thirst – Este é o Meu Sangue ou A Criada, bem como da série de espionagem A Rapariga do Tambor, Park Chan-wook centra Sem Alternativa, a sua nova realização, em Man-su (um excelente Lee Byung-hun, de Squid Game), um homem que trabalha na indústria do papel, ficou desempregado e está a cair no desespero, porque a sua família vai perder o confortável estilo de vida que conseguiu atingir, bem como a moradia onde ele passou a infância e que conseguiu voltar a comprar, e melhorou e tornou mais acolhedora com as suas próprias mãos. Man-su descobre então a maneira de garantir uma possibilidade de trabalho que apareceu: eliminar os outros candidatos mais fortes ao lugar.

Sem Alternativa baseia-se em The Ax, um livro do americano Donald E. Westlake, já filmado por Costa-Gavras em 2005, em Golpe a Golpe, e é uma combinação de comédia muito negra, policial de recorte slapstick e sátira com alerta embutido a uma nova modalidade de capitalismo e a um mundo do trabalho em rápida alteração, no qual os robôs e a Inteligência Artificial estão a eliminar milhares e milhares de empregos. Chan-wook consegue manter tudo interligado e levar a azafamada história a bom e amoral termo, mesmo apesar de um enredo quebra-costas que se extravia aqui e ali, de alguma palha narrativa e de uns 15 minutos que podiam ter saltado na montagem.

O Monte dos Vendavais

Jacob Elordi interpreta Heathcliff e Margot Robbie é Kathy em mais uma adaptação ao cinema do romance de Emily Bronte, sobre a história de amor arrebatada e destrutiva entre aquelas duas personagens, tendo como pano de fundo a paisagem agreste do Yorkshire. A realizadora Emerald Fennell assinou antes Uma Miúda com Potencial (2020) e Saltburn (2023). A primeira versão para cinema deste clássico data de 1920, e a primeira para televisão foi feita em 1953, para a BBC.

+ O Monte dos Vendavais: uma nova visão do amor de Cathy e Heathcliff

Filmes em estreia no streaming

Armand

Realizado em estreia pelo norueguês Halfdan Ullmann Tondel, neto de Liv Ullmann e de Ingmar Bergman, Armand é a história de um menino de seis anos envolvido num incidente ambíguo na escola, cuja direcção convoca a mãe, Elisabeth, interpretada por Renate Reinsve.

Filmin. Estreia a 7 de Maio

Non è un Paese Per Single

Comédia romântica italiana realizada por Laura Chiossone e passada numa pitoresca vila da Toscana. A jovem Elisa sente o mundo a girar quando um amigo de infância regressa a casa, reavivando emoções antigas, que ela julgava estarem extintas.

Prime Video. Estreia a 7 de Maio

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Criaturas Extraordinariamente Brilhantes

Sally Field interpreta aqui Tova Sullivan, uma viúva solitária que trabalha no aquário municipal de uma grande cidade, garantindo os turnos nocturnos. É então que faz uma descoberta que pode trazer de novo alegria e capacidade de se maravilhar à sua vida.

Netflix. Estreia a 8 de Maio

Mais cinema

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