Ciclo 'João Canijo - Um dia de cada vez'



De um ciclo de homenagem a João Canijo ao romance de Francis Bacon com George Dyer no grande ecrã, as últimas noites de Março contam com bom cinema, mas também não esquecem as artes visuais (falamos das exposições de Jaime Welsh e de Daniel Blaufuks) nem a música (vivam as segundas de fado na Típica de Alfama). Já em Abril, a semana continua com cumbia e percursos para conhecer a calçada portuguesa, culminando numa aula colectiva de capoeira ao ar livre. É ainda o último mês para ver, no MUDE, as fotografias que Teresa Couto Pinto tirou a António Variações (bem como algumas roupas do artista), no auge da sua vida criativa.
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Profissões e mercados de Lisboa, entre 1975 e 1980. Assim se resume o foco de atenção do fotojornalista Fernando Negreira, que tem agora esta exposição no Mercado da Ribeira, organizada pela associação CC11. As imagens vêm de um "deambular pela cidade enquanto fazia tempo para executar os trabalhos agendados pela redacção ao longo de cada dia" e hoje mostram a evolução social em Lisboa. De lavadeiras a moços de frete, eis uma Lisboa que já não existe. Para ver de segunda a sábado.
Avenida 24 de Julho (Cais do Sodré). Seg-Sáb 06.00-14.00. Até 2 Mai. Entrada livre
À espera de Godot passou de peça de teatro a expressão do quotidiano, por obra e magia do irlandês Samuel Beckett. Na sua sétima exposição na Vera Cortês, o artista Daniel Blaufuks pega no clássico para nos fazer reflectir sobre a experiência da espera como condição do nosso tempo. A partir de uma constelação de várias imagens fotográficas, podemos sentir a suspensão do tempo no ser humano, na paisagem, nas ruínas, nos gestos e fragmentos da vida de todos os dias. Uma vez juntas, as peças do puzzle tornam-se um retrato do presente, na linha habitual de Blaufuks, em que cada dia, cada momento, serve a construção de um tempo histórico. Para ver de terça-feira a sábado.
Rua João Saraiva, 16, 1º (Alvalade). Até 16 Mai, Ter-Sex 12.0-19.00, Sáb 14.00-19.00. Inauguração: 26 Mar, Qui 18.00-21.00. Entrada livre
Na sua primeira exposição individual num museu (neste caso, o Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado), Jaime Welsh exibe três exemplos incontornáveis do modernismo português, mas também da arquitectura monumental do Estado Novo. No interior do Banco Nacional Ultramarino, da Reitoria da Universidade de Lisboa e da Biblioteca Nacional de Portugal, coloca figuras humanas desconhecidas, retratando-as – a elas e aos espaços – em fotografias "meticolosamente construídas". A viver em Londres, Welsh é hoje um dos jovens artistas portugueses de percurso internacional mais sólido. Para ver gratuitamente de terça-feira a domingo, ao abrigo do programa de 52 visitas gratuitas por ano para portugueses e residentes em Portugal.
Rua Serpa Pinto, 4 (Chiado). Até 2 Abr, Ter-Dom 10.00-18.00. Entrada livre ao abrigo do programa Acesso 52
Instalado no Salão Nobre do Hospital de Santo António dos Capuchos, este museu protagoniza um programa eventualmente estranho e assustador, certamente original. Aberto para visitas todas as quartas-feiras, tem centenas de máscaras de cera onde é possível testemunhar os efeitos dermatológicos de doenças como a sífilis. Para ter esse prazer, é preciso marcar previamente.
Alameda de Santo António dos Capuchos (Campo Mártires da Pátria). Qua 10.00-12.30, 14.00-17.00. Entrada livre mediante marcação.
Quarta-feira, aproveite para visitar o Observatório Astronómico de Lisboa, uma instituição científica do século XIX, quando a beleza ainda não tinha dado lugar a ambientes assépticos. Chãos em madeiras valiosas, paredes com embutidos de mármore, mobiliário de época e sobretudo o equipamento científico histórico, nomeadamente o da incrível cúpula central, numa sala toda forrada a madeira, vão ficar-lhe na memória. Para não falar do piso superior, cuja cobertura é uma cúpula que gira a toda a volta, 360 graus, de forma a que se possa apontar o telescópio, com uma objectiva de 38 centímetros e uma distância focal de sete metros, para qualquer direcção do universo.
Tapada da Ajuda. Rua da Tapada. Quartas-feiras 15.00-16.00. Marcações em geral@museus.ul.pt ou 21 392 1808/ 24/ 25


Esta quarta-feira arranca uma série de peddy-paper organizada pela Escola de Calceteiros de Lisboa. A iniciativa visa dar a conhecer locais emblemáticos da cidade, com foco na calçada artística portuguesa, através de dois percursos: um na Baixa Pombalina e outro no Parque das Nações. As caminhadas acontecem em grupos organizados (o representante deve enviar e-mail com a data pretendida, as idades e o número de participantes para escoladecalceteiros@cm-lisboa.pt) e carecem de inscrição. Os peddy-paper realizam-se até 30 de Setembro, de terça a sexta-feira, das 09.30 às 12.30.
Praça D. Pedro IV (Rossio) e Alameda dos Oceanos (Parque das Nações). Até 30 Set, Ter-Sex 09.30-12.30. Gratuito mediante inscrição
O artista portuense Bruno Zhu ocupa o Espaço Projeto do CAM Gulbenkian. Com uma obra influenciada pelo design de moda, pela edição e pela cenografia, o trabalho do artista reflecte a "desconstrução de hiererquias de poder e de gosto que estruturam as práticas museológicas". Em "Belas Artes", Zhu expõe seguindo normas por si estabelecidas no âmbito do projecto "Licença para Viver", apresentado em Londres, em 2024. Através da reconfiguração dos espaços, mas também de jogos cromáticos, vitrines, bustos em bronze e gesso e manequins do Museu Nacional do Traje, o artista aborda temas como o coleccionismo, o papel dos museus e a apresentação da arte. Para ver de quarta-feira a segunda.
Rua Marquês de Fronteira, 2 (Gulbenkian). Até 27 Jul, Qua-Seg 10.0-18.00 (Sáb 10.00-21.00). Entrada livre
Catarina Cesário Jesus, Cátia Valente, Denis Graeff, Fernando Pimenta, João Pedro Almeida e Raquel Antunes frequentaram a 7.ª Masterclass Narrativa. Do trabalho resultou esta exposição, que conduz a paisagens como o pinhal da Beira Baixa, às várias pressões vividas em Lisboa ou ainda à morte de alguém muito próximo. Para ver de quarta a sexta-feira.
Rua Dr. Gama Barros (Alvalade/Roma). Até 18 Abr, Qua-Sex 14.00-19.00, Sáb 14.00-17.00


Uma mulher em busca de si própria dá-se a ver num "monólogo que explode em mil direcções". Enquanto a protagonista tenta aguentar a performance durante a qual não se pode mexer, também sonha fazer teatro e mudar a sua história. É aqui, nesta peça de Flávia Gusmão e Jacinto Lucas Pires, que vida e palco se confundem. A apresentação acontece esta quinta-feira, no espaço Coruchéus - Um Teatro em Cada Bairro.
Rua Alberto de Oliveira (Coruchéus). 2 Abr, Qui 21.00. Entrada livre mediante marcação prévia através do email umteatroemcadabairro.corucheus@cm-lisboa.pt


Sexta-feira é a primeira Festa Latina do ano com os Largo da Cumbia, banda composta por músicos de várias nacionalidades (e instrumentos, do acordeão ao guiro), sediada em Lisboa. Antes e depois do concerto, a festa faz-se com a música de Manifiesta, Barrioteca e Tere La Candela.
Rua de São Lázaro, 72 (Martim Moniz). 3 Abr, Dom 17.00-23.00 Entrada livre limitada aos lugares existentes e sujeita a registo
Teresa Couto Pinto foi fotógrafa, agente e amiga de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, mais conhecido como António Variações. Com a câmara captou a essência e a espontaneidade do músico como nenhuma outra pessoa. As 85 imagens que compõem "Meu nome António" podem ser vistas de forma gratuita para residentes no concelho de Lisboa, sempre à sexta-feira, entre as 17.00 e as 20.00, janela em que vale a pena também experimentar a exposição de Vhils, com 73 obras de edição limitada.
Rua Augusta, 24 (Baixa). Até 26 Abr, Ter-Qui e Dom 10.00-18.00, Sex-Sáb 10.00-20.00 (a entrada é gratuita à sexta-feira, das 17.00 às 20.00, e ao domingo, das 10.00 às 14.00 para residentes no concelho de Lisboa)
Com entrada livre a partir das 14.00 (não esquecendo que o Museu Gulbenkian está encerrado para obras até Julho de 2026, pelo que a aposta é no Centro de Arte Moderna - CAM e no Edifício Sede), domingo é dia de ir à Gulbenkian. Lá estarão Complexo Brasil ou a exposição de Carlos Bunga, que transforma o museu em "casa". Já em "Xerazade, a Coleção Interminável do CAM", 160 obras de quase uma centena de artistas estão divididas por 14 núcleos, sob a inspiração dos contos As Mil e uma Noites. Em "Zineb Sedira. Standing Here Wondering Which Way to Go", as obras da artista franco-argelina radicada em Paris e Londres centram-se "numa profunda reflexão sobre temas como a migração" ou "a parcialidade das histórias oficiais". Por último, Francisco Trêpa apresenta "Baile dos Bugalhos", um projecto a partir do contacto com "estas reacções biológicas resultantes da interacção entre plantas (como os carvalhos) e agentes externos (como as vespas)", que dão forma a inchaços no exterior das plantas, usados como abrigos pelos insectos que o induzem.
Rua Marquês de Fronteira, 2 (São Sebastião). Qua-Seg 10.00-18.00 (Sáb até 21.00). Entrada livre ao domingo depois das 14.00


A Associação Abadá organiza um "aulão" de capoeira no domingo, no relvado da Alameda Dom Afonso Henriques. A ideia é aprender mas também fazer da tarde um grandioso momento de convívio. A iniciativa integra-se no Festival Europeu da Arte Capoeira, que passa pela segunda vez por Lisboa.
Alameda Dom Afonso Henriques (Alameda). 5 Abr, Dom 15.00. Gratuito
No domingo, o Palácio de Mafra volta a ser o palco do som directo e dos ecos do seu grande carrilhão, tocado a partir das 16.00. A actuação é de Abel Chaves, que garante uma passagem por grandes clássicos e uma experiência de grande intensidade sonora. Antes do concerto (a última entrada é às 16.30), aproveite para visitar o Palácio Nacional de Mafra, que é de entrada livre para portugueses e residentes nacionais, ao abrigo do programa Voucher 52.
Palácio Nacional de Mafra. Dom 16.00. Gratuito
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