Parasitas (2019)
©DR | Parasitas de Joon-ho Bong
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Quinze filmes coreanos imprescindíveis a qualquer cinéfilo

Uma escolha de 15 fitas fundamentais da cinematografia da Coreia do Sul, do início deste século até agora.

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O cinema sul-coreano está, há muito, entre os mais vibrantes, ousados e influentes do mundo. E se ainda havia dúvidas, Parasitas tratou de as dissipar: o filme de Bong Joon-ho conquistou Cannes em 2019, arrebatou quatro Óscares em 2020 (tornando-se inclusivo a primeira produção de língua não inglesa a conquistar a estatueta dourada de Melhor Filme) e tornou-se um fenómeno global. Agora, com a estreia iminente de Mickey 17, o muito antecipado regresso do realizador, aproveitamos para revisitar 15 dos melhores filmes coreanos deste século – uma selecção que podia ser mais extensa, tal é a riqueza desta cinematografia. De Park Chan-wook a Lee Chang-dong, de Hirokazu Kore-eda a Kim Jee-won, todas estas obras são incontornáveis para qualquer cinéfilo que se preze.

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15 filmes sul-coreanos imprescindíveis

Joint Security Area

De Chan-Wook Park, 2000

Um dos melhores filmes sul-coreanos deste século, que durante muitos anos foi também o recordista de bilheteira no país. É um policial rigorosamente feito a regra e esquadro, que decorre na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. Dois soldados da Coreia do Norte são encontrados mortos, supostamente por um da Coreia do Sul, mas os investigadores europeus chamados para tratar do caso descobrem que o número de balas usado no crime não bate certo.

Oasis

De Lee-Chang dong, 2002

Um ex-presidiário irresponsável e de temperamento volátil sai da cadeia e vai à procura da família do homem que matou no acidente que o levou à cadeia, para lhes pedir desculpas, descobrindo que ele tem uma filha que sofre de paralisia cerebral. Do encontro entre este marginal e a rapariga desleixada pela família vai nascer uma tão inesperada como intensa relação amorosa, que o realizador Lee-Chang dong trata com enorme delicadeza e total verosimilhança. Foi premiado no Festival de Veneza.

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2009 – Memórias Perdidas

De Si-myung Lee, 2002

Este policial de ficção científica contempla uma história alternativa, sendo passado num mundo em que o Japão anexou a Coreia em 1910, facto que afectou todos os acontecimentos subsequentes do século XX, incluindo a II Guerra Mundial. Estamos em 2009, em Seul, capital de uma Coreia que faz parte do poderoso Império Japonês. Dois polícias, um nipónico e outro coreano, investigam as actividades de um grupo terrorista pró-independência.

Silmido – Código de Honra

De Woo-Suk Kang, 2003

Acção, drama e política combinam-se nesta fita baseada num facto real. É a história da Unidade 684, criada secretamente na Coreia do Sul em 1968 e composta por criminosos e condenados à morte, treinados com o fim de assassinar o Presidente da Coreia do Norte, como retaliação por uma tentativa semelhante contra o Presidente sul-coreano levada a cabo pelo regime comunista. Só que a operação é cancelada à última hora.

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Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera

De Kim Ki-duk, 2003

Kim Ki-duk habituou-nos a filmes etéreos, misteriosos, intrigantes, mas, acima de tudo, tocantes. Esta capacidade está em especial destaque em Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera. Filmado num lago isolado, onde um templo flutuante se torna o centro de uma meditação visual sobre a vida e o tempo, acompanha um jovem monge ao longo das estações da sua existência. Da inocência da infância à turbulência da idade adulta, cada fase da sua jornada reflecte-se na paisagem e nos desafios que enfrenta. Apesar do tom contemplativo, o realizador não evita os momentos mais duros da natureza humana, criando uma parábola bela e melancólica sobre o ciclo da vida.

Vingança Planeada

De Chan-Wook Park, 2005

Oldboy – Velho Amigo costuma ser referido como o melhor filme da Trilogia da Vingança de Chan-Wook Park. Mas este, o terceiro e último, bate-o aos pontos, na elaboração dramática da história, no estilo visual e na encenação da violência. Uma mãe solteira que cumpriu uma longa pena de prisão por um crime que não cometeu, e à qual foi tirada a filha, vai em busca do verdadeiro assassino após ser libertada, e também da menina.

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A Criatura

De Bong Joon-ho, 2006

Uma criatura mutante que se desenvolveu num rio contaminado por um médico militar americano, começa a atacar e arrastar pessoas para as águas em que vive. Num dos ataques, o monstro leva uma rapariga, que é regurgitada viva e consegue contactar os seus e dizer que está nos esgotos com a criatura. Os familiares vão então tentar salvá-la. Bong Joon-Ho realiza aqui um filme que, ao mesmo tempo, consegue seguir e quebrar as convenções dos monster movies.

Eu Vi o Diabo

De Kim Jee-woon, 2010

Um agente dos serviços secretos jura encontrar o assassino em série que matou e mutilou a sua noiva. A dor e a sede de vingança vão fazer com que ele não recue perante nada para encontrar o criminoso, recorrendo até à ajuda de um assassino canibal. Eu Vi o Diabo é um revenge movie violenta e graficamente realista e que foge à tipificação do género, já que o realizador lhe introduz ambiguidade moral e uma dimensão emocional que são raras no formato.

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Train to Busan

De Yoen Sang-ho, 2016

O cinema sul-coreano não podia ficar indiferente à moda dos zombies, e deu-nos um dos melhores filmes deste subgénero do terror com este trepidante Train to Busan, todo passado num comboio. Um gestor de fundos divorciado acede ao pedido da filha para, no seu dia de aniversário, irem ver a mãe a Busan. O comboio que apanham transforma-se num viveiro de zombies após uma passageira contaminada com um estranho vírus começar a espalhá-lo.

O Lamento

De Na Hong-jin, 2016

Uma vila do interior da Coreia do Sul começa a ser assolada por uma série de crimes relacionados com uma estranha doença. A polícia desconfia de um japonês que se instalou numa casa isolada nas montanhas e começa a investigar, deparando-se com um inquietante cenário. Se há um filme fantástico asiático que merece ser exibido numa sessão dupla com O Exorcista, de William Friedkin, é este O Lamento, de Na Hong-jin, uma notável versão sul-coreana do melhor terror sobrenatural da vertente demoníaca. De culto imediato.

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A Criada

De Park Chan-wook, 2016

O livro da inglesa Sarah Walters que Park Chan-wook adapta aqui passa-se na Inglaterra vitoriana, e o realizador instala-o na Coreia do Sul ocupada pelos japoneses dos anos 20 do século passado. A Criada é um filme requintadamente maquiavéloco e erótico, perverso e com muito humor negro, que nunca pára de nos surpreender. As duas actrizes principais, ama e criada, respectivamente Kim Min-hee e Kim Tae-ri, tão bonitas como talentosas, esmeram-se a interpretar personagens senhoras na arte de parecer o que na realidade não são.

Em Chamas

De Lee Chang-dong, 2018

Um filme inquietante, oblíquo e fugidio, parte thriller, parte drama psicológico, com sugestões de Antonioni e de Patricia Highsmith, onde se pressentem os problemas, frustrações, ressentimentos e desencantos de uma nova geração de sul-coreanos. Um universitário recém-formado e com poucos meios, vê uma amiga de infância e antiga vizinha envolver-se com um rico playboy que tem um passatempo desconcertante: queimar estufas abandonadas. Um dia, a rapariga desaparece, e o jovem desconfia que o namorado a poderá ter assassinado. Mas será que foi isso que se passou mesmo?

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Parasitas

De Bong Jon-hoo, 2019

Os membros da família Kim, que vivem de ilegalidades e expedientes, vão-se infiltrando um a um no seio da abastada e ingénua família Park. Mas estes hábeis chupistas fazem uma inesperada e estranhíssima descoberta na luxuosa casa dos  patrões. Parte drama familiar, parte comédia negra e satírica que dispara em todas as direcções, parte comentário sobre as diferenças, tensões sociais e os fantasmas colectivos da sociedade sul-coreana, Parasitas ganhou o Festival de Cannes e quatro Óscares, incluindo os de Melhor Filme e Realizador. 

Broker – Intermediários

De Hirokazu Kore-eda, 2022

O realizador é japonês, mas Broker – Intermediários foi produzido e rodado na Coreia do Sul, com actores sul-coreanos, por isso faz todo o sentido que conste desta lista. Dois falhados que desviam crianças abandonadas da igreja onde são deixadas, para as venderem a casais que querem adoptar, a mãe de um desses bebés e um miúdo de um orfanato, atravessam a Coreia do Sul numa carrinha, em busca de quem queira ficar com o menino. Hirokazu Kore-eda pega num assunto delicadíssimo e grave, e apresenta-o de diversos pontos de vista sem tomar partido por nenhum deles, com uma leveza que nunca se confunde com frivolidade. 

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Decisão de Partir

De Park Chan-wook, 2022

O realizador mostrou no grande ecrã formas impressionantes de filmar a violência entre os homens. Por isso, é com espanto que assistimos ao surpreendete romance no centro de Decisão de Partir. Um mistério policial envolto em desejo e obsessão, o filme segue Hae-Joon, um detective meticuloso que investiga a morte de um homem caído de uma montanha. A principal suspeita? A enigmática viúva Seo-Rae, cujo comportamento ambíguo desperta tanto desconfiança como fascínio. À medida que a investigação avança, a fronteira entre dever e paixão começa a esbater-se, numa espiral de tensão e melancolia.

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