Gil Fernandes - Fortaleza do Guincho
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Seis chefs para ficar de olho em Cascais

Cascais é conhecida pelos restaurantes de peixe e marisco à beira-mar, mas a contemporaneidade também se serve à mesa. Venha daí conhecer os criativos da cozinha que estão a dar cartas na vila.

Ricardo Farinha
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A comida é uma das melhores razões para visitar Portugal – e Cascais não é excepção. Bem pelo contrário: a vila sempre foi lugar de romaria para quem procura um bom restaurante à beira-mar, de peixe e marisco de qualidade. Hoje, a zona vai muito além disso, com uma oferta à mesa para todos os gostos e carteiras. Do fine dining japonês à gastronomia italiana de minimalismo nórdico, passando pela cozinha portuguesa de autor – distinguida até com estrelas Michelin –, apresentamos-lhe seis chefs que têm dado que falar em Cascais. Marque mesa e vá conhecê-los ao vivo e a cores. 

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Seis chefs para ficar de olho

  • Cascais
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Desde 2021 que Tiago Penão, natural do concelho, é uma estrela na gastronomia de Cascais. Foi quando abriu no centro da vila o Kappo, que se pode traduzir para “cortar e cozinhar”. Ambicioso mas descontraído, é um restaurante japonês de alta cozinha que se foca na proximidade entre o chef e quem se senta à sua frente, no balcão. Apesar de ser possível escolher à carta, o ideal é entregar-se ao menu omakase, onde o chef consegue proporcionar uma autêntica viagem ao Japão com a melhor matéria-prima. E não é cliché. A cada momento da refeição, uma explicação ou uma história, sempre na dose certa. Cada prato é servido em loiças personalizadas, como uma moldura criada de propósito para envolver uma obra de arte.

Embora a tradição nipónica percorra todo o conceito do Kappo que se revelou um sucesso tão grande que rapidamente deu origem a um irmão mais novo, a taberna japonesa Izakaya, liderada pelo irmão mais velho de Tiago Penão a história e experiências da equipa que ali trabalha diariamente também se reflectem à mesa. Por exemplo, Manu prepara uma sobremesa venezuelana que costumava partilhar com a avó, um bolo de três leches que depois é queimado com carvão japonês. No Natal, preparam rabanadas. Embora o Japão seja sempre o foco, também abrem espaço para outras incursões que só reforçam a personalidade deste restaurante.

Antes do Kappo, Tiago Penão trabalhou no Midori, no Penha Longa Resort, em Sintra, o primeiro restaurante japonês em Portugal a conquistar uma estrela Michelin são muitos os que apostam que, em breve, também estará na lista dos galardoados.

  • Cascais

Há 20 anos que Diana Roque trabalha em restauração. Passou pelas cozinhas de restaurantes portugueses reputados e premiados como o Belcanto ou o Feitoria, mas também fez escola em estrelas Michelin de Nova Iorque ou Barcelona. Após muitas experiências acumuladas e uma ligação fortalecida à comida portuguesa, francesa e italiana desde 2023 que está à frente do Bougain, que ocupa a antiga Casa da Pérgola no centro de Cascais, um chalet centenário convertido em hotel boutique com restaurante, muito característico pelo seu jardim discreto e tranquilo.

À mesa, chegam pratos intemporais como o bife Wellington (que também tem versão vegetariana ou com salmão) ou o entrecôte grelhado com molho à café Paris, passando pelo polvo à lagareiro, o arroz de carabineiros ou o steak tartare, entre vários outros.

Esta cozinha clássica e elegante, também alimentada por uma ou outra abordagem mais contemporânea, é complementada com o reconhecido serviço de qualidade e proximidade que já se tornou uma paragem obrigatória em qualquer roteiro gastronómico de Cascais. Ora, no circuito dos chefs, Diana Roque também conquistou um lugar no mapa.

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  • Grande Lisboa

É um dos chefs e empresários da restauração mais reconhecidos em Portugal. O premiado José Avillez, dono de um autêntico império gastronómico que já se espalha pelo mundo, tem raízes em Cascais e dois restaurantes no concelho. 

Mesmo no centro da vila fica o Cantinho do Avillez, um dos seus conceitos vencedores, um espaço descontraído e confortável com uma oferta de inspiração portuguesa com influências das muitas viagens que fez ao longo dos anos, mas também da sua infância passada em Cascais. Acaba por ser uma oportunidade mais amiga da carteira de experimentar a sua cozinha, para quem não quiser puxar dos galões numa visita ao Belcanto, o seu restaurante lisboeta com duas estrelas Michelin, considerado um dos melhores do mundo.

Em 2023, José Avillez abriu no Guincho um outro restaurante chamado Maré. O nome não deixa enganar: aqui reina o mar, com uma ementa de cariz tradicional (que ombreia com as famosas e históricas marisqueiras daquela costa) onde não faltam apontamentos da sua culinária criativa. Os peixes e mariscos de qualidade pululam pelas mesas, sem grandes invenções nem sacrilégios, mas entre uma série de abordagens modernas que o tornam refrescante para quem procura algo mais sofisticado.

Do Rio de Janeiro para Cascais. Foi esta a travessia transatlântica que Nelson Soares fez em 2024, quando abriu deste lado do oceano o Sult, irmão mais novo do seu restaurante carioca. A abordagem do chef é particularmente original: este é um espaço dedicado à culinária italiana, sobretudo de inspiração transalpina, mas que absorve ingredientes locais portugueses, especialmente ligados ao mar.

Também há por aqui uma aura francesa: privilegia-se o sabor natural dos poucos ingredientes base, que são no máximo cinco por prato; e as gorduras são reduzidas, com alimentos mais leves. O minimalismo nórdico dá um ar da sua graça, com o restaurante dinamarquês Mangia a ser uma referência assumida pelo chef brasileiro. Sult é, aliás, a palavra dinamarquesa para “fome”.

Com uma vasta selecção de vinhos, orgulhosamente exposta na principal parede do restaurante, este restaurante é tão sofisticado quanto descontraído. Junto da cozinha está instalada a mesa triangular do chef, onde Nelson e a sua equipa finalizam todos os pratos, e onde também há lugares disponíveis para quem se quiser sentar na linha da frente.

Várias das especialidades que tornaram o Sult num marco no Rio de Janeiro foram trazidas para Portugal, como a famosa lasanha Sult, servida com fondue de parmigiano reggiano; ou a fregola com polvo e tutano, uma surpreendente massa clássica da Sardenha, feita de sêmola.

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  • Haute cuisine
  • Recomendado

Tinha 28 anos quando, em 2018, assumiu a liderança da cozinha da Fortaleza do Guincho, restaurante imponente e elegante com estrela Michelin desde o início do milénio, um histórico que se tornou uma referência e fez escola no circuito da alta cozinha em Portugal. Originalmente com uma cozinha de base clássica francesa, aproximou-se do Atlântico ali mesmo em frente dos seus peixes e mariscos e dos produtos tradicionais portugueses, apostando na alta qualidade dos ingredientes locais.

Gil tem dado continuidade ao legado de excelência que a Fortaleza do Guincho representa no panorama nacional, uma cozinha que conhece como a palma das mãos desde 2015 e que cada vez está mais aprimorada à sua imagem. Em 2024, foi considerado o chef revelação (nos reputados prémios portugueses Mesa Marcada) e tem conseguido manter sempre, ano após ano, a tão prestigiada estrela Michelin.

Situado numa fortaleza militar do século XVII, hoje transformada em hotel, este restaurante panorâmico é um ponto de paragem obrigatório para todos os amantes de fine dining que passem uns dias em Cascais. A cozinha de autor e as técnicas modernas cruzam-se com a tradição portuguesa, com grande cuidado no que toca ao empratamento e à estética de cada prato. Servem dois menus, o Degustação e o Experiência, e alguns pratos à la carte. Tente chegar cedo para ficar numa das mesas junto da janela e ainda conseguir apanhar o pôr-do-sol sobre o mar.

  • Cascais

É um dos nomes emergentes na gastronomia de Cascais. Desde 2023 que lidera a cozinha do Art, o restaurante do hotel boutique de cinco estrelas Artsy, que ocupa um antigo palacete do século XIX. Todo o edifício tem esse ar acolhedor e arrumado de casa senhorial, mas também uma abordagem contemporânea e irreverente, que se nota nas peças artísticas instaladas nas paredes ou na intervenção que Vhils fez na fachada.

À mesa não é muito diferente. O principal conceito do restaurante, implementado aos jantares, é “fun dining” cozinha de autor servida numa experiência descontraída, divertida e personalizada. A sala, com 20 lugares sentados e espaço para mais 10 ao balcão, é ideal para um ambiente intimista e de partilha. A aposta está no cruzamento entre os produtos locais o peixe, o marisco ou até as nozes de Cascais com ingredientes que trazem mundo para a mesa. 

O resultado são propostas criativas como a bola de Berlim de camarão, autêntica comida do mar (ou não fossem as bolas de Berlim uma das maiores especialidades das praias portuguesas); sendo que a costela alentejana de David Casaca se revela nas suas versões de presa de porco preto com migas e laranja ou da raia com alho e amêndoa. Aqui não há divisões convencionais entre entradas e pratos principais, e os menus mudam todas as estações.

É possível pedir à carta, mas o ideal é render-se à The Art Experience, um conjunto de seis pratos seleccionados pelo chef, tendo em conta as suas preferências. Se comer ao balcão, pode assistir à finalização de cada prato, momentos que dão azo a trocas de histórias e impressões que só enriquecem toda a experiência.

Cascais à mesa

No final dos anos 80 abriram os primeiros restaurantes italianos em Cascais. Sítios com ementas clássicas, a respeitar o receituário que Itália tinha feito viajar até outros países da Europa, com pizzas de massa fina, massas simples e os irresistíveis bifes cozinhados em molhos italianos. Mais tarde chegaram as variações: as pizzas napolitanas, com bordas grossas, cozinhadas em fornos de lenha que atingem altas temperaturas, e depois as massas frescas caseiras, uma das maiores paixões dos veros fanáticos da cozinha italiana. Para diferentes gostos e bolsos, saiba quais são os melhores restaurantes italianos em Cascais.

primeiro restaurante japonês abriu em Portugal em 1989 – chamava-se Furusato e ficava na Praia do Tamariz, no Estoril. Foi aí que Paulo Morais, chef do Kanazawa, em Algés (com uma estrela Michelin), iniciou a sua carreira. Já lá vão umas boas décadas, é certo, e entretanto houve um boom de restaurantes japoneses no país. Nos dias de hoje, Cascais está bem servido em termos de cozinha japonesa – e nem sequer estamos a falar apenas de sushi. Dos espaços mais tradicionais aos de fusão, passando pelos que fazem incursões por outras cozinhas e pelos que dão a conhecer especialidades de rua do Japão, há de tudo. Para um jantar-experiência, uma mesa cheia de amigos ou um almoço rápido, eis a nossa escolha de restaurantes japoneses em Cascais

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Já falta pouco para o Dia dos Namorados, 14 de Fevereiro, que ainda por cima este ano calha a uma sexta-feira. Numa terra banhada pelo Atlântico, é fácil cumprir logo aquele clichê que transpira romantismo: uma refeição à beira mar. Nesta lista, onde juntamos os melhores restaurantes para um jantar a dois, encontra uns bons exemplares da espécie, seja numa sala envidraçada, uma varanda privada ou uma esplanada quase montada nas rochas. Mas há mais: mesas pitorescas, salas privadas, menus de alta cozinha, restaurantes com ambientes a meia-luz, música ao vivo e até um com um carrinho de sobremesas trazido à mesa do cliente. Não ficaram de fora as boas garrafeiras, porque num jantar fora a dois há que brindar – e muito.

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