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Restaurantes com estrela Michelin que valem a viagem

Faça-se à estrada para uma experiência única à mesa nestes restaurantes com estrela Michelin.

Cláudia Lima Carvalho
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Viajamos para conhecer determinada cidade e os seus museus e monumentos, para nos deitarmos em praias paradisíacas ou esquiar e abraçar o frio. Mas cada vez mais viajamos também para comer, para conhecer novos restaurantes e chefs. Comece já o pé de meia e organize uma escapadinha gastronómica em Portugal. É possível também conhecer mais do país e das suas pessoas à mesa. Descubra o que move cada chef na sua cozinha e prepare-se para uma refeição inesquecível e, por vezes, também irrepetível. Vá por nós, estas 12 mesas são imperdíveis e justificam cada quilómetro.

Recomendado: Roteiro pelos restaurantes com estrela Michelin em Portugal

Restaurantes que valem a viagem

  • Grande Porto

No novo hotel de Vila de Conde, o The Lince Santa Clara, Vítor Matos fez nascer o Oculto, num projecto a quatro mãos com Hugo Rocha, com quem trabalhou muito tempo no Antiqvvm, onde hoje tem duas estrelas. O nome é uma alusão ao facto de o restaurante ficar numa cave que só foi descoberta durante as obras de renovação do mosteiro. À semelhança do que tem vindo a fazer no 2Monkeys, também no Oculto o chef aposta num contacto próximo com os clientes, desmistificando o fine dining. Independentemente do menu – e são três (100€/120€/160€) –, tanto os snacks iniciais como os petit fours no final são servidos na cozinha, aberta para a sala.

  • Grande Porto
  • preço 3 de 4

É entre o mar e a montanha, com o maior respeito pelo território que António Loureiro trabalha no seu A Cozinha, o primeiro restaurante a conquistar uma estrela Michelin para o Minho. Trabalhando com ingredientes locais e sazonais, num respeito enorme pela tempo de cada um, o chef tem vindo a fazer um trabalho notável na sustentabilidade. De tal forma que em 2023 se tornou no primeiro restaurante europeu a conseguir o certificado Zero Waste Business e para isso muito contou a procura incessante pelo desperdício zero e a redução drástica no uso do plástico. No que à comida diz respeito, não podia ter mais sabor. O menu de degustação tem 13 momentos (130€).

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  • Grande Porto

Aberto há cerca de um ano, o Palatial, chefiado por Rui Filipe, conseguiu a primeira estrela Michelin para Braga – a segunda no Minho, depois de A Cozinha, de António Loureiro, em Guimarães, por onde Rui Filipe também passou. No currículo, o chef conta ainda com passagens pela Fortaleza do Guincho e o Costes, em Budapeste, ambos ao lado de Miguel Rocha Vieira. No Palatial, “um projecto invulgar”, segundo a Michelin, pela “diversificação de uma empresa familiar, dedicada ao mundo das piscinas, da alta gastronomia e do alojamento premium”, Rui Filipe olha para a tradição gastronómica portuguesa de forma criativa. É possível pedir à carta, mas só se fica a conhecer realmente a sua cozinha com os dois menus de degustação (90€/120€).

  • Leça da Palmeira
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

A morada podia ser tudo, depois há a cozinha. Mas vamos por partes e expliquemos o que faz da Casa de Chá da Boa Nova tão especial, a começar desde logo por ficar num edifício desenhado pelo Pritzker Álvaro Siza, classificado como monumento nacional. Em cima do mar, perfeitamente encaixado nos rochedos, o restaurante onde Rui Paula tem duas estrelas Michelin é singular. Na cozinha, é ao mar que o chef vai buscar a inspiração (e grande parte da matéria-prima), inspirando-se nos cantos de Luís de Camões – assim está dividido o menu. O maior tem 21 cantos, ou momentos, e custa 275€ (há outros dois mais curtos: 215€/12 momentos e 175€/seis momentos). 

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  • Cozinha contemporânea
  • Bonfim
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

É sem amarras que Vasco Coelho Santos se apresenta no Euskalduna Studio, um restaurante fora da norma. Em tudo se assemelha a um omakase japonês, assente sempre numa grande proximidade com o cliente. A cozinha, essa, é tudo menos oriental, embora possa haver uma ou outra inspiração, do Japão ou do México ou de Espanha, onde trabalhou em restaurantes de vanguarda como o El Bulli ou o Mugaritz. O menu (160€/dez momentos) é uma surpresa constante – foge da régua e esquadro, bem como todo o ambiente descontraído. A estrela Michelin chegou em 2022, depois de o chef se ter destacado em anos anteriores entre as várias apostas.

  • Europeu
  • Foz

Arnaldo Azevedo cresceu no meio dos tachos no restaurante dos seus pais. Desde cedo, conheceu os caminhos dos mercados e dos fornecedores e a importância (e a diferença) de se trabalhar com bom produto. É o cuidado pelo produto, precisamente, que o distingue também. No Vila Foz, na primeira linha do mar, foca-se essencialmente no peixe e no marisco, cruzando tradição e contemporaneidade com criatividade, daí também o nome dado ao menu, “Maresia” (190€). Já o “Novo Mundo” (150€) promete uma viagem de sabores “a outras latitudes entre hemisférios”.

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  • Grande Porto
  • preço 3 de 4

Do centro de Viseu a Silgueiros são cerca de 15 quilómetros, vinte minutos de carro, mais coisa, menos coisa. Na zona, é a Quinta de Lemos a principal atracção. Foi na década de 1990 que Celso de Lemos, com carreira feita na indústria têxtil, fez nascer a quinta com o objectivo de ali fazer o melhor vinho. O sonho foi ganhando forma e em 2014 no cimo das vinhas era inaugurado o Mesa de Lemos, com Diogo Rocha a chefiar a cozinha – haveria melhor forma de dar os vinhos a provar? Uma década depois, o restaurante é paragem de apreciadores de todo o mundo e para isso muito ajudou a estrela Michelin conquistada em 2019 e, mais tarde, a estrela verde. À mesa, são servidos apenas os vinhos e os azeites da quinta. Já o menu conta com uma dose de ingredientes da horta, mas também de produtores locais e certificados. São dois os menus: um de seis momentos (130€) e outro de oito (160€). A cada prato, uma descoberta, num cruzamento entre tradição e inovação, sem grandes alaridos, numa cozinha tão autêntica e honesta quanto o seu chef, num restaurante que tem tanto de bonito como de minimalista, idealizado pelo atelier de arquitectos Carvalho Araújo. Uma experiência única.

  • Atracções
  • Quintas

Em Reguengos de Monsaraz, a Herdade do Esporão é o único restaurante com uma estrela Michelin no Alentejo. Soma a isso uma estrela verde, pelas boas práticas sustentáveis – e aí tem a companhia, na região, da Herdade da Malhadinha Nova. No Esporão, Carlos Teixeira cozinha o terroir. O restaurante abastece-se na sua horta, os vinhos e os azeites são também produzidos ali e tudo o que pode é feito ali, de fermentações a preservações. O meu de degustação (105€/cinco momentos e 125€/sete momentos) varia por isso conforme a necessidade. A envolvente e a vista do restaurante são únicas, com a característica de este ser um dos poucos restaurantes com estrela Michelin em que as crianças são bem-vindas – há um menu especial para as crianças até aos 13 anos por 28€.

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Foi uma das surpresas na gala do Guia Michelin do ano passado, mas quando Octávio Freitas abriu o Desarma em 2022 sabia bem ao que ia e o queria, não por acaso conseguiu convencer a administração do hotel The Views Baía a transformar o último andar no seu restaurante de sonho. A partir dos ingredientes da estação e da sua terra, o chef procurar praticar uma “cozinha simples onde, sem floreados, os sabores desarmam quem os prova”. São três os menus, de seis (195€), de nove (225€) e de 12 momentos (275€). A harmonização não é de se passar, não fosse também Octávio Freitas um homem do vinho e com uma garrafeira que é um verdadeiro luxo.

Naquela que é, provavelmente, a rua mais esquizofrénica de Portimão, onde reina a histeria e a desordem, fica um dos melhores restaurantes do país – e nada nisto é um exagero. Em cima da Praia da Rocha, o restaurante Bela Vista Hotel & Spa é uma porta de entrada para um mundo delicado. João Oliveira, que antes de aqui chegar em 2015 passou pelas cozinhas estreladas do Largo do Paço, em Amarante, do The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, e do Vila Joya, em Albufeira, está seguro do caminho que percorre. O menu nunca esteve tão afinado. Apesar de não ser algarvio, o chef representa a região à mesa, da serra ao mar, focando-se essencialmente no peixe e marisco num conjunto de pratos em que não falta cor, sabor e textura. O menu (225€) está em constante evolução e pratos como aquele que serve diferentes variedades de tomate e camomila, numa combinação também de diferentes técnicas, pode nunca ser bem o mesmo. O serviço, atento e imaculado como se espera num restaurante do género, serve a sala, luminosa e bonita, e o chef tem a capacidade de quebrar o gelo logo ao início ao receber os clientes na cozinha, onde são servidos os primeiros snacks.

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Cinco meses bastaram a Louis Anjos para receber, em 2021, a primeira estrela Michelin no Al SUD, o restaurante do resort Palmares Ocean Living & Golf, pensado por si de raiz. O mar ao fundo compõe a sala, com vista para a Meia Praia, em Lagos, e que vai ganhando uma vida diferente ao longo da noite e conforme a equipa vai intervindo em cada mesa. O serviço tem, aliás, uma presença bastante forte na sala, nunca se impondo demais. Pegando no receituário típico da região do Algarve, o chef apresenta uma cozinha criativa com produtos do mar, mas também da serra, num menu de dez momentos (175€), que arranca precisamente com uma interacção perfeita para se baixar a guarda. Três frascos que podiam ser de perfume servem para se escolher um cocktail através do cheiro, da mesma forma que no final os petit fours chegam numa mala de viagem com uma polaroid para se registar o momento. São detalhes que marcam pela diferença, num universo tantas vezes semelhante, como o risco de apresentar uma harmonização (95€) apenas com vinhos do Algarve. Longa vida ao Al SUD!

  • Haute cuisine

Foi na sua terra e com a família, contra o que poderia ser expectável quando se quer fazer um certo caminho na alta cozinha, que Óscar Geadas fez nascer o G Pousada, conseguindo a primeira (e única) estrela Michelin para Trás-Os-Montes em 2019. Na cozinha, o chef prova que a cozinha regional pode ter uma adaptação contemporânea e uma assinatura. Com respeito à história, sem medo de dar um passo em frente, e atento aos produtores locais. O menu (155€) muda consoante a época e de acordo com a paisagem. 

Rota das estrelas

Foi uma noite de confirmações, mas também de surpresas, entre as quais a perda da estrela de Ljubomir Stanisic no 100 Maneiras, no Bairro Alto. Foi, acima de tudo, uma noite em grande para a gastronomia portuguesa, que viu reconhecidos oito restaurantes com uma estrela Michelin, entre os quais Marlene, de Marlene Vieira, e o Blind e o Oculto, ambos de Vítor Matos, que já no ano passado se tinha distinguido na gala Michelin. Na capital, além de Marlene, foram distinguidos em 2025 o Arkhe, o Grenache e o YŌSO e há agora 20 restaurantes com estrela Michelin em Lisboa.

Poucas são as experiências gastronómicas que se assemelham a um almoço ou jantar num restaurante com estrela Michelin, ou semelhante. Da atenção ao produto às mil e uma técnicas usadas na cozinha, provam-se pratos verdadeiramente surpreendentes. São os menus que contam uma história, são as pessoas que ora na cozinha, ora na sala, tudo fazem para que o momento seja especial e memorável. Só no Algarve existem sete restaurantes com estrelas Michelin, dois deles com duas estrelas. E se é verdade que o Algarve é sinónimo tantas vezes de férias no Verão, também é verdade que pode ser uma bela escapadinha gastronómica.

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  • preço 4 de 4

Não temos muitos restaurantes Michelin no Porto, mas os que temos são bons que se fartam e merecem muito uma visita sua, nem que seja “quando o rei faz anos”. Por isso, junte uns trocos, reserve com antecedência um lugar à mesa num destes restaurantes com estrela Michelin no Grande Porto e deixe-se apaixonar pelo estômago e pela incrível cozinha que aqui se faz. Com inspiração no mar, no receituário tradicional português ou com influências do mundo, aqui criam-se pratos que lhe vão, seguramente, ficar-lhe na memória. E uma coisa é certa, nestes restaurantes a experiência vai muito além da comida. Bom apetite.

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